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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Depois de ter estado uma semana fora de papo para o ar e ainda faltando mais uma semana de ferias achei que iríamos ficar pelas praias da zona, mas o Miguel achou que devíamos ir até ao Alentejo. Apoiei, pois claro e 3 dias depois lá estávamos nós a caminho.

O carro como era de esperar portou-se bem. Era muito azar um carro semi novo empanar, não era?

Deveria ser, mas não foi.

Tínhamos chegado às muralhas de Monsaraz quando acendeu uma luz vermelha a informar que estava com problemas no motor. Se esta situação nos tivesse acontecido há uns anos eu diria "Telefona para a assistência em viagem e que mandem um reboque e um taxi para voltarmos para casa". Pois, não sei porque carga de agua aqui a "Je" anda em estado Zen, o que é certo é que não stressei nadinha.

Já que o mostrengo tinha decidido avariar não era isso que ia impedir que nos divertíssemos. Ficou bem estacionado e fomos à procura de restaurante para almoçar.  Depois de escolhido e enquanto esperávamos o Miguel ligou para a assistência em viagem. Nem tudo ia ser como esperávamos, pois só iríamos ter carro de substituição no dia seguinte. No final e depois de tudo esclarecido informaram que o reboque demoraria cerca de 45 minutos.

Tempo suficiente para almoçar à sombrinha e quando voltássemos o reboque já estaria à espera.. 

Perfeito, certo?

Errado!

A hora estava a aproximar-se e decidimos ir até perto do carro. Embora estivéssemos em baixo de umas arvores, os 41 graus sentia-se na mesma. Já tinham passado os 45 minutos quando o homem do reboque ligou para perguntar onde estávamos. Explicação dada, o Miguel pergunta-lhe se sabia onde era "mais ou menos". Oh diabo, mais ou menos não era  a resposta que eu gostaria. Pergunta-lhe também quanto tempo demoraria " já abalei e daqui a 30 minutos e estou ai". Com o calor que estava aqueles 30 minutos iam representar muitos mais, mas nada havia a fazer e brincávamos com a situação. Pela voz o Miguel tinha a certeza que era um velhote. Aquela meia hora transformou-se em quase 1 hora e peço ao Miguel para lhe ligar. Eu dizia " É velhote? Pela experiencia que tenho nada me admiro que tenha percebido mal e esteja a ir para outro local". 

-É o dono do carro empanado no castelo de Monsaraz...

- Olá amigo, então diga

-Ainda está longe?

-Não não estou aqui ao pé do...está a ver...um cruzamento...

- Diga-me só uma coisa, demora mais quanto tempo?

-Isto é rápido. Dentro de 15 minutos estou ai.

Quando ouvi aquilo ia-me dando uma coisinha. Mais 15 minutos naquele calor?

Depois de desligar imaginávamos a cena. Eu achava que ele andava perdido e o Miguel achava que ele estaria nalguma tasca a beber uma cervejinha gelada.

Cada vez que ouvíamos um carro achávamos que era ele, mas infelizmente passaram muitos, mas o do velho nem sinal. 

45 minutos depois mais um telefonema. O desespero era bastante e só pensávamos em mergulhar na piscina da quinta para onde íamos.

-Oh amigo estou quase ai...

- Quase? Isso é quanto?

- Uns 10 minutos

- Oh homem você tem o relógio avariado? Há 45 minutos faltavam 15 e agora ainda faltam 10?

-Sabe isso ainda fica longe? 

Cerca de 3 horas após o telefonema para assistência em viagem lá estava ele. O meu impulso foi barafustar, mas quando o vi desisti. O homem era um velhote simpático e engraçado.

Faltava agora o táxi que tínhamos pedido à assistência, mas Deus me livre ficar à espera dele. Não tinha provas em como não demoraria mais umas 3 horas a chegar. Pedimos ao velhote para nós ir levar. 

Já não bastava ter aguentado aquela espera com aquele calor infernal e agora aqui a "Je" ia chegar montada no reboque?

Parece-me que em vez de usar bijutaria vou comprar uns amuletos para  pendurar ao pescoço, tipo isto

Imagem daqui

Imagem daqui

Imagem daqui

 

Imagem daqui

Ah, não é de admirar o homem ter levado tanto tempo a chegar. Conduzia 20 km hora.

 

 

 

Quando li este post  http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/parvoeiras-3-no-multibanco-158592  desta menina Magda L Pais recordei-me de algumas situações um pouco stressante e constrangedoras.

Um dia eu e o maridão fomos levantar dinheiro, ou melhor fomos para ir levantar dinheiro no multibanco. Depois de marcar o código accionamos a tecla dos levantamentos, digitamos 200 euros, uns segundos à espera e sai o cartão. Olhamos um para o outro, olhamos para a maquina à espera que o dinheiro saísse e nada. Depois de esperar algum tempo e sentir os olhares fuzilantes das pessoas que estavam na fila resolvemos  afastarmo-nos e esperar que a pessoa depois de nós utilizasse a maquina.

O fulano fez as operações que quis e no final sai uma carradona de notas. A primeira coisa que nos veio à cabeça foi que parte daquelas notas seriam nossas, afinal o nosso dinheiro não tinha saído e nem nenhuma mensagem no écran. Dirigimo-nos ao fulano e perguntamos se aquela quantia era a que tinha levantado. Azar do caraças, o homem falava alemão. Ele tentava perceber o que falávamos, nós tentávamos fazermo-nos perceber e na fila não havia ninguém que falasse alemão. Já tínhamos explicado às pessoas o que nos tinha acontecido e algumas eram da opinião que aquele dinheiro seria nosso. Felizmente passou uma pessoa que percebia a lingua e lá falou com o fulano a explicar-lhe o nosso receio. No final mostrou o papel do multibanco em que provava que quantia era toda dele.

Mesmo assim só ficámos descansados quando metemos novamente o cartão na maquina para pedir os movimentos e vimos que a quantia dos 200 euros tinha saído e depois tinha entrado novamente na nossa conta.

Outra das situações relacionado com o multibanco foi à relativamente pouco tempo. Fui ao Continente e como precisava de levantar dinheiro para pagar a renda (infelizmente a imobiliária apenas recebe em dinheiro ou cheque) aproveitei e fiz-lo ali. Como a quantia que eu necessitava era superior ao que a maquina permite levantar tive de o fazer por duas vezes. Levantei 200 euros, coloquei novamente o cartão para levantar o restante e enquanto a maquina trabalhava eu contei o dinheiro. Como estava certinho e tinha uma pessoa à espera para utilizar o multibanco achei que não valia a pena contar o resto e fui até ao balcão das informações. Enquanto esperava para ser atendida vem um senhor ter comigo e pergunta-me " a menina (gosto tanto que me chamem menina) levantou dinheiro?"

Fiquei admirada com a pergunta e em espaço de segundos pensei "mas porque raio quer saber se levantei dinheiro?"

-Sim levantei.

-Então estes 40 euros são seus.

Tinham ficado presos na maquina.

Tive sorte de encontrar uma pessoa honesta e tive sorte de não me ir embora e ficar no balcão das informações.

Quando escrevi este post   http://marrocoseodestino.blogs.sapo.pt/2014/09/02/  não o finalizei e hoje relembrei-me de um episodio que me aconteceu com o raio da tal porta e achei que era o dia para o finalizar.

Na altura que ele viu que a porta não abria não havia nada  a fazer a não ser ir trabalhar e depois ao final do dia se veria. 

Depois de sair do trabalho lembrou-se que tinha visto uma loja de portas e fechaduras perto de casa e foi até lá. Na altura e apesar de ir com o meu sobrinho nem um nem outro sabiam falar árabe. Felizmente que o dono da loja falava espanhol. Depois de explicar a situação mandou um funcionário acompanha-los para resolver o problema. Varias tentativas e nada da porta abrir, o tal funcionário chamou e patrão e também não conseguiu resolver o problema. Segundo ele ou arrombava a porta ou aquilo era coisa para um especialista. O Miguel teve algumas duvidas se ele se referia a um ladrão que arromba portas. Arrombar a porta não seria solução pois,  teria uma despesa bem maior. Não conhecendo nada lá lhes explicou que havia uma loja na cidade que deveria resolver a situação. chegados lá, mais um problema, apenas falavam árabe. A única alternativa era ir buscar a mulher do meu sobrinho que era marroquina.

Depois de ela explicar lá foram a casa munidos de varias ferramentas e fechaduras.

Depois de varias horas, entre a primeira empresa e esta a coisa estava resolvida.

Até eu chegar a porta sempre trabalhou bem e num dos dias em que fiquei sozinha em casa resolvi ir até ao shopping perto de casa. Antes de sair resolvi experimentar as chaves e em boa hora o fiz, pois a porta por fora não abria.

Havia de ser engraçado sair e quando chegasse não conseguir entrar em casa. Teria de esperar por ele umas boas 7 horas. Bem sempre tinha alguns gatos para me distrair.

Era meu habito ir até à varanda espera o miguel chegar e quando o vi abri-lhe a porta e contei-lhe o que tinha sucedido. Experimentou as varias chaves que estavam em casa e realmente nenhuma funcionava. Não compreendia, mas a dele funcionava e isso bastava. Ainda brincámos acerca dele querer-me fechada em casa. Saímos para ir beber um café e quando chegamos a porta não abria. O raio das chave dele que sempre a abriu deixou de funcionar. A única explicação era o facto de andarmos a mexer na fechadura e que alguma coisa tinha saído do sitio.

Ok, agora estávamos os dois fechados na rua...