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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

 

Apesar de estar cheia de sono estava decidida a não sair da câmara até ter o problema da água resolvido.

A funcionária que me atendeu não era a mesma que me tinha tratado do pedido.

Expliquei que eram para terem ido colocar o contador no dia anterior e que ainda estava sem água. A resposta da senhora não me agradou e segundo ela poderia demorar até 5 dias úteis. Interiormente estava a explodir, mas calmamente mostrei o papel à senhora onde dizia que seriam dois dias.

-Pois a colega que lhe fez o pedido não devia de ter posto 2 dias...

-Pois, mas pôs e se assim não fosse eu ainda estaria na casa antiga. Como deve calcular não me agrada e não posso aceitar passar o dia de hoje e um fim-de-semana sem água em casa.

- Minha senhora a empresa que faz esse serviço é uma empresa externa e nada tem a ver com a câmara.

-Acredito, mas também acredito que tenham o número de telemóvel da tal empresa que por sua vez se for contactada saberá contactar o tal funcionário que irá colocar o contador na minha casa. Como sabe hoje em dia toda a gente tem telemóvel...

-Vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada.

-Acredito que irá conseguir e eu ficarei ali à espera na salinha.

-Ah, mas pode demorar. O melhor é ir para casa que se eu conseguir entro em contacto.

- Não se preocupe que apesar de ter feito noite e de ainda não ter dormido não faço conta de sair daqui sem ter a certeza que irei ter agua hoje.

Tudo isto dito com muito calma, o que acredito que facto de estar com sono me tenha tornado mole e me tenha evitado perder as estribeiras.

Menos de 5 minutos depois vem a tal senhora e diz-me " O técnico vai a sua casa agora".

Agradeci e apesar de ter uma caminhada de 15 minutos a pé já que o carrinho anda estava na oficina para ser tratado do fanico, ia satisfeita.

Já com água na torneira foi hora de uma banhoca e em vez de ir dormir fui arrumar os caixotes que ainda estavam por arrumar.

De rastos, mas satisfeita!

Alguns meses antes da partida do Miguel já andávamos à procura de casa. Um problema grave de infiltrações vindas do apartamento por cima do nosso e apesar do empenho do senhorio em resolver o problema acabámos por ver que não tínhamos alternativa. Quase um ano depois de detectar o problema, duas seguradoras que não se entendem e um administrador de condomínio que não cumpre o seu papel fomos obrigados à dura tarefa da mudança. Melhor dizendo, fui, pois a escolha e a mudança apenas se deu quando o Miguel já estava por terras marroquinas.

A escolha da casa não foi fácil. Procurava algo de preferência mais barato, perto da zona onde vivia e que tivesse condiciones para viver com conforto. Apenas em Agosto encontrei algo que agradou.

Como devem calcular não ter um homem em casa para ajudar não foi "pêra doce". Contactei algumas empresas de mudanças, coisa nada fácil, pois ter um feriado antes do fim-de-semana da mudança dificultava a disponibilidade de algumas. Felizmente o meu trabalho por turnos fez com que não tivesse que pedir dias. Os meus pais, apesar da idade ajudaram imenso. Vários dias o meu carro, o da minha filha e o do meu pai fizeram dezenas de viagens. Felizmente que as duas casas eram perto uma da outra.

Tudo corria bem e dentro do planeado quando o meu carro resolveu dar-lhe um fanico e recusou-se a andar. A embraiagem decidiu que estava na altura de ser substituída. Um arrombo, não só na questão das mudanças como nas despesas.

Ainda assim e apesar de me ter ido a baixo com este imprevisto acabei por arregaçar as mangas e continuar. A última noite foi passada no apartamento antigo e a dormir no chão, pois toda a mobília já tinha sido levada e os planos de ter água nesse dia caíram por terra.

Já tinha tido dificuldade em tratar da aquisição do contador, pois os dados na câmara não batiam certo com os dados da morada. Vai dai peço à imobiliária para me arranjar a caderneta predial, coisa que achei que iria resolver o problema. Nada disso. Supostamente a morada correcta era a que estaria na caderneta, mas o raio da letra "C" que estava em sistema na câmara fazia com que a funcionária não tivesse a certeza de ser aquele apartamento. Nem eu a dizer que apenas faltava aquele contador em todo o prédio fazia com que as coisas se resolvessem. Vendo o meu desespero e confiando em mim a moça lá tratou de tudo. Segundo ela e ficando escrito, na pior das hipóteses dai a 2 dias teria agua. Pois, ao 3º dia não a tinha e como aqui a menina não é de ficar de braços cruzados, apesar das 10 horas anteriores em cima do "coiro" serem passadas a trabalhar logo que acabei o turno dirigi-me para a câmara...