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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Costuma-se dizer que uma desgraça nunca vem só e infelizmente tenho de concordar.

Vejamos então, primeiro foi o senhorio que me mandou a carta (sem estar à espera) da não renovação do contrato, depois veio a procura de casa para comprar que acabou por ir por agua abaixo, para chatear mais um pouco veio a compra da viagem que correu mal e como se não bastasse o Miguel ficou com uma dor tão forte que teve de ir de ambulância para o hospital.

Apesar de me considerar uma pessoa forte, sinto que estou a chegar ao meu limite. O cansaço, o desanimo e a tristeza está a tomar conta de mim...

Quando escrevi este post sobre o envelhecimento dos que são nossos tive um comentário em que dava a entender que eu era insensível na minha profissão uma vez que olhava para os meus pais de outra forma. 

Pois bem mais uma vez trago um tema que poderá fazer com que me vejam como insensível na minha profissão.

Vários utentes da Instituição onde trabalho têm a doença de alzheimer. Dou-lhe banho, visto-os, dou-lhe comida, muitas vezes à boca, dou-lhes afecto ( quando mo permitem, pois alguns não gostam), converso com eles, mesmo sabendo que aquela conversa é um emaranhado de historias sem sentido. Além das muitas vezes que tenho de lidar com a agressividade da parte de alguns. Faz parte da profissão saber lidar com isto. Se é fácil? Não não é. Muitas vezes dou por mim a tentar imaginar como seria a vida daquela pessoa antes de ter a doença, como seria a sua vida familiar e se a pessoa foi tendo a noção da evolução da doença.

Seria uma péssima profissional se dissesse que não me entristece e me choca ver situações destas, mas seria hipócrita se dissesse que sinto exactamente o mesmo quando tenho de lidar com familiares meus ou com pessoas próximas de mim com esta doença.

Quando recebo um utente novo é-me apresentado com as suas limitações, com as suas doenças portanto é assim que o vejo. Agora ver um dos meus a decair e a transformar-se em alguém que não conhecemos é bem mais duro, mais triste e mais difícil de aceitar.

O meu sogro tem perto de 90 anos, ficou viúvo há vários anos e depois de ficar fechado em casa bastante tempo conheceu uma senhora que lhe veio dar um novo alento à vida. Cá em casa dizemos que é a namorada, mas ele quando se refere a ela diz "a minha colega Josefa". Não vivem juntos mas estão diariamente juntos. Se bem que ultimamente não acontece com a mesma frequência para tristeza dele e nossa.

Foi ela mesma que me falou que tinha a doença de Alzheimer. Na altura achei que talvez estivesse a exagera um pouco, pois não via nenhum sinal da doença. Infelizmente não estava.

Ontem vimos a tristeza com que o meu sogro falou da namorada colega e nos contou alguns episódios.

Dizia ele " A Josefa esteve cá em casa no outro dia e depois de ir embora telefonou-me a perguntar se a mala dela tinha cá ficado. Disse-lhe que não e ela continuava a insistir que tinha de cá estar. Perguntei-lhe de onde estava a telefonar e disse-me que era de casa. Disse-lhe "Oh Josefa se entraste em casa é porque tinhas a mala porque as chaves estavam lá dentro". Como insistia que que as tinha deixado aqui acabei por lá ir. Então não é que a tinha arrumado no roupeiro e não se lembrava?"

 " Cada dia que passa está pior. No outro dia fomos passear e quando a fui levar a casa disse-me para esperar que ia lá cima buscar umas coisas que tinha comprado para mim. Esperei mais de meia hora e como não vinha fui tocar à campainha.Quando entrou em casa esqueceu-se de mim".

Serei uma má profissional por sentir uma maior tristeza nesta situação do que com os utentes com que trabalho?

É impossível não olharmos para os nossos com outro olhos...