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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Já tinha falado do lançamento do livro do Clube de gatos do sapo e agora que se sabe a data fica aqui o convite.

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É com muita pena minha que não irei estar presente. Infelizmente o emprego não mo permite. 

Tinha esperança de ser agora que ia conhecer o espaço que há muito faz parte dos meus desejos e de ir conhecer algumas bloggers que fazem parte do clube. Haverá certamente outras ocasiões.

 

Em relação às amizades não sou uma pessoa fácil de as fazer. Não falo no sentido de ter dificuldade em me dar bem com as pessoas, mas na dificuldade em me entregar a elas e na dificuldade em confiar inteiramente na pessoa.

Acredito que esta dificuldade tem a ver com algumas desilusões que tive em tempos. O meu divórcio trouxe-me essa realidade. Os amigos que eu achava que eram, rapidamente tomaram partido do outro lado e eu fiquei sozinha. 

O facto de eu e o Miguel nos dar-mos bem e nos divertirmos sozinhos também fez com que não me "agarrasse" a ninguém para construir uma amizade.

Quando fui trabalhar no meu actual emprego, já lá vão perto de 10 anos, comecei a dar-me bem com uma colega. Apesar de termos uns feitios terrivelmente difíceis em termos de trabalho para lidar-nos uma com a outra conseguíamos respeitar as opiniões e conseguíamos que o trabalho funcionasse.

Rapidamente começamos a falar das nossas vidas pessoais e rapidamente aquela amizade evoluiu e transformou-se naquilo que eu considero amizade. Gostava da companhia dela e por vezes combinávamos sair, outras vezes falávamos ao telefone. Eu estava ali para ela, como achava que ela estava para mim.

Há uns tempos senti que não lidava comigo da mesma forma. Estava distante e fria. Esperei uns dias que viesse ter comigo e como não aconteceu falei com ela. Quando perguntei se se passava algo disse-me que estava tudo bem, mas quando insisti disse-me que estava magoada comigo. Segundo ela eu não lhe tinha perguntado como estava em relação a determinado assunto grave. Conversamos calmamente e fiz-lhe ver que não era verdade, pois era com frequência que lhe perguntava com estava e como estava a família. Também lhe fiz ver que numa amizade se achamos que algo não está bem que devemos falar. Ficámos esclarecidas e tudo ficou bem.

Não muito tempo depois notei que estava novamente distante. Nessa altura comecei a reparar em pormenores para ter a certeza que não seria impressão minha. Foram varias as situações em que eu estava presente e que falava comigo como falava para uma pessoa desconhecida e com as outras, que eu sabia que não as suportava, tratava-as com alegria, brincadeira, beijos e abraços. Não achava isso normal e comecei a procurar "provas" de que a nossa amizade estava a morrer. Até ali nunca tinha ligado ao facto de nunca me perguntar pela minha filha, apesar de saber de algumas situações que me preocupava. Tal como nunca me perguntava como estavam os meu pais. Sabia que esses dois factores eram algo que me faziam estar feliz quando estavam bem ou ficar de rastos quando não estavam bem. Comecei a ver aquela amizade como algo desequilibrado, em que uma das parte dá tudo para a manter e a outra nada.

Cheguei à conclusão que aquela amizade me estava a fazer mal. Deixava-me irritada ver o distanciamento com que me tratava. Ontem tive mais uma prova e tive a certeza que teria falar com ela e por um ponto final.

No inicio do turno quis passar-lhe algumas informações importantes, visto que temos o mesmo cargo . Respondeu-me "olha falámos mais logo para eu não me atrasar". Confesso que a minha vontade foi explodir logo ali, mas controlei-me. Não podia aceitar que no dia anterior tivesse ficado na conversa com 2 colegas sem se importar se se iria atrasar e que naquele dia não tinha tempo para me ouvir.

Achei que a tal conversa não podia passar daquele dia. 

Depois do almoço conversámos...

 

 

Lembram-se deste assunto ?

Se naquela altura me deu dor de cabeça, hoje além da dor de cabeça, estou a sentir-me revoltada e desanimada.

Quando abri a carta da autoridade tributária e aduaneira, como quem diz FINANÇAS tive de colocar os óculos para ter a certeza que estava a ver bem.

O Miguel trabalha em Marrocos, paga os impostos lá, vem a Portugal varias vezes por ano ajudar o país com as suas compras e agora pedem-lhe para pagar uma valor exorbitante de impostos? 

Resta-me iniciar o dia com uma ida às finanças munida de carradas de folhas, onde a meu ver prova que não terá de pagar nada.

A esperança é a ultima a morrer não é?

Embora saiba como é natural e inevitável o envelhecimento custa-me ver as mudanças nos meus pais. Até à pouco tempo dizia que eles não eram iguais aos velhotes que cuido e alguns bem mais novos que os meus. Neste momento ainda fazem tudo sozinhos, mas ver cada vez mais a dificuldade de locomoção, a dificuldade de se levantarem e principalmente ver a que o cérebro está em declínio custa-me muito.

A minha mãe sempre foi uma pessoa com uma memoria extraordinária. Contas e datas era com ela. Esta semana telefona-me para a ajudar. Tinha ido ao medico e tinha-lhe recitado um medicamento novo que era para tomar de 12 em horas, tinha-o tomado às 19 horas e não conseguia fazer as contas para saber a que horas tomar o próximo.

Fiquei em choque e a pensar que aquela não era a minha mãe.

Todos os dias lido com velhotes. Todos os dias tiro fraldas, ponho fraldas, dou comida à boca e faço higienes. Todos os dias lido com as confusões e esquecimentos deles.  Nada disto me faz confusão, mas imaginar os meus pais nestas condições não consigo.

Na minha cabeça os meus não são iguais aos outros.

 

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