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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Vi um anuncio da venda de um carro que dizia:

"Ano 2001
Quilometragem 88.000
Descrição do veículo
Interior do Peugeot 206, branco escuro..."


Branco escuro? Mas que raio de cor é branco escuro?

É verdade que o meu cérebro tem andado um pouco mirrado e com alguma dificuldade no funcionamento, mas por mais que puxe pela cabeça não sei que cor é esta. E para dificultar a coisa olhando para as fotos do carro juro que aquilo é branco, apenas branco.

Haverá por aqui alguma alminha que me tive a dúvida?

5 da manhã e aqui estou eu sem sono, com uma irritação enorme e a pensar no que fazer para mudar a minha maneira de ser e ter uma vida com uma melhor sanidade mental. Sempre fui ansiosa, sempre fui stressada (odeio que mo digam) e nunca consegui viver a pensar apenas no hoje. Há anos que venho tendo consciência que esta minha maneira de ser me destrói, me inferniza, me faz entrar em "parafuso" e não me deixa viver a vida como a deveria viver. Muitas vezes dou comigo própria a dizer-me "Joana Maria mas de que raio te queixas tu? Quantas pessoas gostariam de ter a tua vida? Vive a vida e não penses tanto nas merdas."

Para passar o tempo andei a vasculhar num antigo blog que acabei por deixar ao abandono. Não o abandonei por não gostar, mas porque surgiu uma vontade enorme de criar"oimpossivel" (quem o conheceu sabe o quanto me diz muito) seguindo-se o actual com a nova etapa das nossas vidas ( inicio de uma vida fora de Portygal)). Continuando com o vasculho do meu antigo blog tive a prova que por mais que tentemos há coisas que nunca mudam.

As próximas linhas foram retiradas dele e foram escritas em 2013, mas reflectem bem como eu era e como continuo a ser. Ao le-las revi-me nelas e a única diferença é que as guerras entre os papás, o mano e a cunhada acabaram e saúde da filha felizmente voltou ao normal, apesar da relação dos dois ser exactamente igual ( praticamente inexistente).

"Sexta-feira, 19.07.13

Acordei a pensar que tenho de fazer algo por mim, ou melhor pela minha saúde.

 

Isto de passar parte da noite acordada a pensar em problemas que podem não existir, pensar no trabalho, pensar que este ou aquele precisa da minha ajuda, pensar que há pais que não merecem ser pais e pensar que amanhã tenho isto e aquilo para fazer tem de acabar.

 

Tenho a cabeça pesada e parece que fui atropelada por um camião. Não que alguma vez tenha sido (felizmente), mas imagino que doa o corpo todo.

 

Como não tenho nenhum botão para desligar estes meus estados quase diários vou ter de colocar metas.

 

Sim, porque mudar não vai ser tarefa fácil, eu diria até que me parece uma tarefa impossível.

 

Para o resto do mês preciso de conseguir:

 

-Descontrair e viver a vida sem stress;

 

-Deixar de vir para casa martirizar-me porque não consegui cumprir o meu plano mental no trabalho;

 

-Deixar de fazer plano mental para cada dia de trabalho (a grande maioria das vezes sai furado);

 

-Deixar-me de martirizar quando não consigo fazer o que este ou aquele idoso me pede. Afinal não sou a Madre Teresa de Calcutá e nem tudo o que nos pedem nos compete ou podemos fazer (esta vais ser difícil);

 

-Não antecipar os problemas, pois a grande maioria das vezes sofremos sem motivo;

 

-Ser menos pessimista;

 

-Evitar estar no meio da guerra familiar e querer a todo custo unir a família. Cansa e desgasta ouvir as 2 partes, ou melhor as 3 partes (pais, irmão e cunhada ou melhor ex. cunhada). Cada um tem as suas razões, mas são tão casmurros que só sabem "disparar" uns contra os outros;

 

-Deixar de pensar que "aquele" pai deveria preocupar-se e querer saber o estado de saúde da filha (esta é a mais difícil de engolir);

 

-Deixar de fazer planos.

 

Não será fácil cumprir estas metas, mas sei que para a saúde e para a minha sanidade mental vou ter de o fazer."

Umas semanas antes do ano acabar deparei-me com uma situação que me fez pensar nos idosos (e não só) que têm de apresentar IRS e não têm computador ou não sabem mexer nele, ou não têm dinheiro para pagar a quem lho faça.

Há alguns anos que sou eu que faço o IRS dos meus pais, mas tenho-o feito em papel. Ora como este ano resolvi fazer via internet e pedi-lhes para irem às finanças pedir para lhe enviarem as senhas.

Segundo a minha mãe a senhora que os atendeu parecia que estava a falar chinês. Dizia palavras que ela nunca tinha ouvido e outras que apesar de as ter ouvido não sabia o que queriam dizer. A velhota vinha muito mais descansada porque a senhora tinha escrito num papel os passos a dar para pedir as senhas. Foi neste momento que pensei nas tais pessoas que não percebem nada disto e não têm ninguém para os ajudar. Sim, segundo a minha mãe a senhora das Finanças disse-lhe que tinha de pedir alguém para a ajudar pois ali só lhe podia tirar duvidas.

Ora mesmo que continuasse a fazer o IRS em papel, teria de ir ao portal das Finanças verificar as facturas. Logo precisaria das senhas. Se não fosse eu e não podendo contar com a ajuda da funcionaria como iriam fazer?

Não será obrigação dos funcionários das Finanças ajudar quem não sabe? (não digo que a falha seja dos funcionários, mas antes das ordens)

Haverá por aqui algum contabilista?

 

 

 

 

Se há coisas que detesto é querer comprar algo e ser pressionada pelos vendedores. Quando acontece desisto da compra, mesmo que haja algo que adore.

Devido ao últimos arranjos do meu carrinho conversamos e chegamos à conclusão que teríamos de comprar um para o substituir ou ficaria com o do Miguel uma vez que só pode ter carro em Marrocos 6 meses por ano e compraríamos um novo para ele, mais tarde.

Como carros é coisa que não me fascina, nem percebo passei essa tarefa para ele. Começou a procurar através de pesquisas na Net e encontrou um stand relativamente conhecido (chegou a passar na TV e a publicidade era feita com uma figura publica muito conhecida), mas quando foi para ver preços não era possível, pois teria de colocar o numero de telefone e como era do estrangeiro não aceitava. Ora a alternativa foi eu própria fazer o registo e colocar o meu numero de telefone. No dia seguinte recebi uma chamada em que a pessoa se identificou como vendedor do tal stand. Contactava-me para me tirar alguma duvida que pudesse ter. Disse-lhe que realmente tinhamos começado a procura de carro, mas que isso era tarefa do meu marido. Depois de insistir que gostaria de falar com ele tive a infeliz ideia de lhe dizer que chegaria a Portugal dentro de 2 dias. Quis logo marcar uma visita ao stand ao qual respondi que iríamos quando entendesse-mos, pois esta altura de festas roubava-nos tempo e não era algo que tivesse mesmo de ser . Dois dias depois estava eu no meu emprego quando me ligam de um numero que não sabia quem era. Desliguei pois, apenas costumo atender chamadas dos meus pais, marido ou filha. Sou contactada, mais 3 vezes pelo mesmo numero que na altura ainda não sabia quem era e resolvi atender. Porra era o tal vendedor a perguntar como tinha corrido a viagem do Miguel e se já podíamos marcar a visita. Expliquei-lhe que estava a trabalhar e que já lhe tinha dito que quando o entendesse-mos iríamos até lá. Começava a ficar irritada com tanta insistência e gravei o numero. No dia seguinte recebo mais 2 chamadas que não atendo. De seguida manda-me uma mg a dizer que iria lá estar até X horas, mas caso tivesse-mos interessados a fazer a visita para lhe ligar. Fiquei a bufar e a pensar que o gajo era um chato e pior fiquei quando passado poucos minutos me liga novamente. Não atendi, embora a minha vontade fosse dizer-lhe que se até ali ainda havia alguma hipótese de compra tinha deixado de existir depois de tanta insistência.

Já estava em casa quando recebo nova chamada dele e resolvo atender.

- Boa noite D. Joana estou a ligar para saber se está tudo bem e se viu a minha mg

- Boa noite, sim vi a sua mg tal como ouvi as suas chamadas...

- Teria todo o prazer em vos receber...

- Vou-lhe ser muito sincera. Não gosto que me pressionem quando estou para comprar algo...

- D. Joana não a estou a pressionar...

- Desculpe? Não está a pressionar? Então liga-me varias vezes seguidas, deixa mensagem depois de lhe ter dito que quando o entendêssemos iríamos fazer uma visita e não está a pressionar?

Naquela altura pensei " ou está desesperado por vender ou então é burro".

- Sabe por vezes os clientes deixam passar oportunidades boas...

- Pois, se fosse esse o caso é porque tinha de ser, além do mais não estamos desesperados à procura. Não tem de ser algo que tenhamos de comprar hoje ou amanhã. Se há coisas que me levam a desistir de uma compra é a insistência dos vendedores.

- Peço desculpa por a ter feito sentir-se pressionada. Desejo-lhe um feliz Natal. Brevemente falaremos.

O quê? Brevemente falamos? O homem ainda estava pensar ligar-me? Deus me livre!

- Peço-lhe que não volte a ligar-me.

Fiquei tão farta de ouvir a voz dele que parece-me que nem com uma super promoção eu faria negócio.

Nota: O meu carrinho depois de me oferecer nova avaria dia 4 ficou fechado na garagem de castigo. Só sairá de lá quando eu entender. Bem, poderá recusar-se a andar nessa altura. Seja como for estou desenrascada com o carro do Miguel.

 

Acabei de ligar a TV no canal da TVI e ouvi o Dr. Quintino Aires a dizer

"Não há filhos maus, há pais incompetentes"

"Se os primos têm melhores notas que ele é porque os pais não lhe incutiram o gosto pelo estudo"

não faço ideia do tema, mas não concordo com estas afirmações. Parecem-me demasiado fortes. Não digo que não existam casos destes, mas não se pode generalizar.

Quantos casos conhecemos de pais com vários filhos em que ambos receberam a mesma educação e são tão diferentes uns dos outros? Uns são honestos, humildes, trabalhadores ou seja boas pessoas e outros são violentos, desonestos e vadios.

Dou o exemplo da minha filha. Sempre houve livros cá em casa, sempre lhe tentamos incutir o gosto pela leitura, mas detesta ler. Que mais poderíamos nós fazer para que este gosto se tornasse realidade?

O homem é polémico como se pode ver aqui , aqui , aqui , mas gosto de o ouvir, a grande maioria das vezes.

 

 

 

Estas ultimas 2 semanas têm sido magnificas, apesar de muito cansativas. Sim, conciliar trabalho, a preparação da ceia de Natal, os nossos passeios e a vinda do Miguel não é tarefa fácil. Quero aproveitar todos os momentos com ele o que faz com que as horas de sono sejam reduzidas.

Inicio do ano é altura de fazer um balanço do ano que passou e traçar objectivos para o próximo ano, certo?

Sinto-me uma sortuda  por ter alcançado alguns objectivos.

Concretizamos a viagem a Cuba. Desejo há muito ansiado.

A filhota tem tido trabalho, ainda que seja com contracto temporário.

Continuo a trabalhar na área que gosto, apesar de ter tido muitos dias em que me desiludi, em que falhei, em que tive de lidar com percas, com algumas intrigas e com muito cansaço físico e psicológico.

E o mais importante é continuar a sentir que fomos feitos um para o outro. Que o amor que sentimos é enorme, que continua a haver muito dialogo, que há respeito e muita cumplicidade.

Não posso pedir mais em 2016 do que tive no ano anterior.
Ah, apenas que as idas ao medico reduzam e que o meu velho carrinho deixe de me dar dores de cabeça.

Nota: este post já estava alinhavado e apenas não o publiquei por ter de sair e agora a que cheguei a casa posso dar a novidade que o meu velho carrinho continua a querer enlouquecer-me.

Desta vez o limpa para brisas resolveu avariar no meio de uma chuva quase torrencial. Felizmente não estava muito longe do destino e cheguei a passo de caracol sã e salva.

Começo bem o ano!

 

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