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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Emocionalmente não ando bem e ontem, no trabalho notou-se. Felizmente não fiz nenhum erro, mas as lágrimas saiam com facilidade e tentava evitar a todo o custo que não as vissem. Foi uma tarde desgastante e estava ansiosa para ir até casa.

Depois do turno lá fui eu e ao chegar ao prédio decidi que iria deixar o carro fora da garagem, uma vez que no dia seguinte ia sair cedo. Enfio a chave na fechadura da porta do prédio e nada de a conseguir abrir, tento varias vezes, olho para as varias chaves no porta chaves e confirmo visualmente que era aquela. No dia seguinte iria falar com algum morador para saber se tinham o mesmo problema. A única hipótese que me restava era colocar o carro na garagem e subir de elevador. Para compor o dia ao colocar o carro dentro da minha garagem consigo colocar-lhe um visual novo. Nada de especial, apenas vários riscos na parte lateral do carro. Acredito bem que a culpa não tenha sido minha, mas sim da garagem, que certamente encolheu.

Estas peripécias deixaram-me enervada, mas no momento que vi o meu Miguel no écran do PC e falei com ele tudo passou.

Quanto às chaves, hoje descobri que afinal tinha colocado a chave errada na fechadura. Eu e as chaves não nos damos muito bem  http://marrocoseodestino.blogs.sapo.pt/peripecias-alem-fronteiras-5383

Ontem o dia não acabou da forma que gostaria devido à noticia que a minha mãe me deu. Achei que uma noite de sono me faria bem, que ficaria mais calma e que a minha voz já não ficaria embargada quando voltasse a falar com ela.

Esperei a hora que se costumam levantar para lhe telefonar. Queria saber como estava e saber mais pormenores já que ontem me faltaram as forças para fazer todas as perguntas às minha duvidas.

Tentei disfarçar o nervoso da voz...

-Mamã como estás?

-Estou bem...tenho de me conformar e esperar...

-Conta-me exactamente o que o médico disse.

-Quando entrei o medico perguntou-me o que me trazia por lá e eu como levava uma camisola um pouco decotada baixei-a e ele diz-me " a senhora tem um cancro de pele".

Não contive as lágrimas ao imaginar a minha mãe a ouvir uma coisa daquela assim...de forma tão directa.

Contou-me que o medico lhe disse que a cirurgia ficaria um pouco cara,( a consulta tinha sido paga por ela e aquele era um hospital particular)  e que lhe passaria uma carta para entregar a uma determinada medica dermatologista que trabalhava no hospital publico, para tentar acelerar o processo.

-Caro? Mas quanto?

-Não sei não me disse...

-Então e o papá não perguntou?

-O papá não entrou, pois quando o médico me chamou ele tinha ido à casa de banho.

As lágrimas voltaram a correr...ela tinha recebido aquela noticia tão dura completamente sozinha.

Que "raio" de filha sou eu?

Como nunca me passou pela cabeça que pudesse ser algo de grave?

Aqueles pais nunca me falharam, sempre estiveram ali para mim. Sinto que falhei como filha... 

Há notícia que nos tiram o chão, que nos deixam sem palavras e com o coração apertadinho. Que nos fazem ver o futuro de outra forma...

Tenho uns pais maravilhosos, que sempre pude contar e eles comigo, claro.

Vivemos apenas a 8 quilometro de distância, não é muito é certo, mas devido aos meus horários acabam mais vezes eles a passarem cá em casa do que eu a ir até lá. O telefone é um bom aliado para nos sentirmos mais perto e é utilizado praticamente todos os dias.

Há cerca de 16 anos a minha mãe foi operada ao coração. Operação difícil, mas que correu bem. Dois anos após apareceu algo que parecia uma pequena ferida, junto à costura. Os anos foram passado e a ferida uns dias estava melhor outras pior. Varias vezes foi ao medico de família que lhe ia receitando pomadas. Por vezes melhorava, mas nunca desaparecia totalmente. Cheguei a dizer-lhe para consultar um dermatologista, mas só agora o fez. A consulta foi hoje.

-Então mamã como correu a consulta? O que disse o médico?

-Tenho cancro de pele e vou ter de ser operada.

Fiquei sem fala, a voz ficou embargada...

 

Conheci a Sofia no emprego, é daquelas pessoas de sorriso lindo, grandioso e verdadeiro. A voz calma e num tom perfeito que nos consegue acalmar.

Não trabalhamos juntas, mas gosto de a ver quando lá vai. Durante umas semanas não a vi por lá e em conversa com outras colegas soube que tinha casado. Recordo-me de pensar na sorte da pessoa que ela tinha escolhido para seu marido. Passado uns dias e apesar de ainda estar de ferias fez-nos uma visita e com ela vinha uma rapaz que eu achei que seria paciente dela. Notava-se algumas limitações de deslocação do rapaz e sendo ela fisioterapeuta só poderia ser isso. Aproximámo-nos e com aquele sorriso lindo diz-me "olá Joana, este é o João, o meu marido."

Naquela altura saiu-me um "Olá tudo bem", mas por segundos fiquei a pensar e agora o que faço, o que digo?

Confesso que não estava à espera que o marido dela sofresse de algum tipo de deficiência, por isso a minha dificuldade em não saber o que dizer. Recordo-me de lhe perguntar "andas a mostrar o teu trabalho?" e recordo-me de lhes desejar felicidades.

Não posso negar que na altura, interiormente fiquei constrangida (sem saber o porquê) e tinha receio que se pudesse notar.

Na minha cabeça a única possibilidade que via era que fossem namorados e que em determinada altura tivesse algum acidente e tivesse a infelicidade de ficar assim. Normalíssimo, pois eu jamais deixaria o meu Miguel, ou passaria a ama-lo menos se tivesse naquela situação ou algo do género.

Das primeiras vezes, depois dela mo ter apresentado ainda pensava como seria a vida dela, mas rapidamente deixei de pensar, pois o sorriso dela enorme continuava inalterado. Isso queria dizer que estava feliz.

Meses mais tarde lei-o esta noticia http://www.publico.pt/sociedade/noticia/um-tipo-todo-torto-que-insiste-em-ter-uma-vida-normal-1673713#  e fiquei rendida e emocionada com esta história de amor.

Quem quiser pode seguir a história do João aqui:

http://cenouranacalcada.wordpress.com/2014/10/27/cenoura-na-calcada-vamos-la/

 

 

 

 

Sempre que se aproxima a data de fazer os exames específicos para ver se os nódulos da mama estão estáveis sofro sempre de ansiedade. Passaram 6 anos desde que apareceu o primeiro, na altura e apesar da medica que estava a fazer  a ecografia ter dito que aparentemente não era maligno chorei baba e ranho. Também não fiquei à espera que passassem 3 meses para voltar a repetir a eco e acabei por ir a um especialista. Felizmente o diagnostico dele foi igual ao da medica e 3 meses depois de o repetir estavam estáveis e pude respirar de alivio.

Ontem foi dia de fazer mais uma mamografia e ecografia mamária.

Estava deitada  e enquanto a medica passava o aparelho na mama e insistia especialmente na zona dos módulos, as lágrimas quiseram saltar.  E naqueles minutos que pareciam horas pensei na hipótese de ela me dizer que tinham evoluído para algo de grave. Se tal acontecesse estava ali sozinha e perante uma situação daquelas eu não sabia se iria conseguir voltar para casa a conduzir. Pensei em que telefonaria...os meus pai não o poderia fazer, pois ira ser demasiado duro para eles, ao Miguel também não, pois muitos quilómetros nos separam e só de imaginar a angustia com que ficaria dói. Nem tão pouco sabia se iria ter coragem para lhe contar. Pensei nos nossos sonhos, nos nossos planos e nas nossa viagens tão ansiadas.

E a minha filha? Como ia ela ficar?

Felizmente a medica confirmou que os nódulos não aumentaram de tamanho e apenas daqui a uma ano é que deveria voltar lá.

No caminho para casa acompanhava-me um grande sorriso, um coração descansado e as palavras do Miguel do dia anterior, quando falei que iria fazer os exames " Sem stress, vai tudo correr bem. Na nossa vida a sorte tem-nos acompanhado".

 

 

 

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