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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Por este andar este blog passa a ser o muro das lamentações, das minha lamentações.

Tenho uma boa e uma má noticia e o melhor é começar pela boa.  O Miguel depois de ter estado sem se conseguir mexer, tendo eu de lhe prestar todos os cuidados básicos da vida diaria no primeiro e segundo dia, já foi trabalhar. Uma dor terrivelmente forte obrigou-o a parar durante quase uma semana. Apareceu assim do nada, sem fazer esforços, sem grandes movimentos, apenas se baixou para tirar as chaves do carro.

 

Assim do nada parou tudo, ou melhor parou tudo o que não tinha a ver com o Miguel. vir com ele para casa praticamente com as mesmas dores com que foi para o hospital e depois de lá ter estado 6 horas não foi fácil . Vê-lo na cama sem se poder mexer fez-me pensar que a qualquer momento perdemos o bem mais valioso que temos. A nossa autonomia.

Arranjei um anjo disfaçado de enfermeira para lhe vir dar as injecções a casa e um anjo disfarçado de fisioterapeuta para lhe fazer massagens, shiatsu e Auriculoterapia (com esferas magnéticas). Todo estes conjuntos de tratamentos fizeram com que ao 2º dia já se conseguisse levantar, apesar de muita dificuldade e ao 3º já tinha apenas uma ligeira dor.

Portanto com ele a coisa está no bom caminho, mas como as coisas por aqui tem sido abanões atrás de abanões agora foi a vez do Snoo.

Na sexta feira começou a sangrar de uma das narinas. Aquela que tinha uma pequena feridita que eu achava que era o cancro a voltar. Infelizmente estava certa. No sábado foi ao veterinário que apesar de não ter feito exames confirmou o que já suspeitamos. Informou-nos das hipóteses que tínhamos. Fazer quimioterapia, que serve para atrasar o avanço, mas sem certeza alguma. Fazer Crioterapia, que serve para destruir os tecidos anormais, mas também sem garantias, pois depende da área com a doença. Avançar para a cirurgia, amputando parte do nariz que embora também não seja garantido que não volte é o que tem uma maior percentagem de ser bem sucedido.

Há ainda a hipótese de não fazer nada e deixar o Snoo viver até onde for possível.

Neste momento vemos um gato mais carente, embora tenha muitos períodos de brincadeira e doideira do costume.

A parte pior é sangramento que apesar não ser constante quando corre acaba por sujar cobertas do sofá, chão e ederdons.

Saímos do veterinário com cirurgia marcada para 4ª feira, mas depois de muito pensarmos, muito pesquisarmos e termos falado com algumas pessoas que passaram pelo mesmo já não sabemos o que fazer.

Já sofreu tanto com as cirurgias que não sei se tenho forças para o ver sofrer novamente. E pior saber que certamente o cancro irá voltar novamente acima do olho. Já se nota a cor mais rosada e com um sinal ainda que muito pequeno de ferida.

Haverá gente que ao ler este post irá dizer "qual é o drama, é apenas um gato", mas é um gato que faz parte da família há 13 anos(mesmo que fosse há 1, 2 ou 3). É um gato que apenas não fala a nossa língua, mas que nos entende e que se faz entender perfeitamente. É um gato que nos deixa a casa cheia de momentos fantásticos, além dos pelos, claro.

Estamos de rastos...

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Tudo começou à cerca de 2 semanas atrás quando o Miguel veio a Portugal. Veio para passar o meu aniversario e ao mesmo tempo para concretizar um dos nossos planos. Planos que comprar um carro. Já tínhamos decidido que compraríamos um para ele e o dele ficaria para mim e assim desfazia-me do meu que tantos problemas e tantas contas altas me dava. Para quem não sabe não ligo nada a carros, não tenho nenhuma marca de carro ou modelo que seja o meu sonho e qualquer carro desde que ande e não dê problemas é bom. Ah, e a meu ver quanto mais simples melhor. Portanto quando ele me falava que tinha isto e aquilo, coisa que para mim era chinês e  depois de me explicar o que era, eu perguntava "Mas isso é preciso?", "Mas quando avariar vai ser uma pipa de massa, não é?". 

Depois de escolhido foi altura de o experimentar e aqui começou a minha dor de cabeça. Aquilo é automático e tinha montes daquilo que eu chamo "paneleirices". Caso para dizer que se quando ando com o carro dele por vezes carrego em todos os botões para abrir o deposito da gasolina, andando naquele nada me admiro que carregue em algo e seja injectada pelo tecto. 

Conduzi-o e adorou (coisa que não entendo) e quis que aqui a menina também o fizesse. Recusei. Então nunca conduzi uma coisa daquelas, o carro não era meu, ainda por cima com o vendedor lá dentro como é que me iria sair? Mal, certamente e por isso disse NÃO.

Negocio fechado e foi combinado que logo que tivesse toda a documentação me contactaria para entregar o carro. Ora mais uma dor de cabeça. Eu tinha de ir buscar o carro, carro esse que me tinha recusado a conduzir, aquele em que o pé esquerdo tem de estar quietinho e só o direito é que trabalha. Sim, senhora estava metida numa alhada. Noites de sono mal dormidas à custa disto.

A parte melhor para mim, não era ter um carro novo, mas livrar-me do meu que tanta dor de cabeça me dava. Na altura expliquei ao senhor que o único problema que ele tinha era o limpa para brisas do lado do pendura estar avariado. 

Na minha ideia e como na semana anterior o tinha tirado do castigo (estava fechado na garagem), em que o tinha colocado quando me presenteou com a ultima avaria, achei que era dar a chave e que ele andava. Puro engano. O estúpido recusou-se a andar. Ora na minha cabeça a bateria tinha ido à vida, o que queria dizer que ia ter de gastar mais dinheiro. Só ia saber quando o mecânico lá fosse, mas poderia ser apenas falta de carga. Achei que o melhor era só o chamar no dia da entrega. Mais umas noites a dormir mal.

Na terça feira o vendedor liga-me para combinar a entrega. Peço-lhe para ser na quinta, isto para ter tempo para o limpar por dentro e para o lavar por fora. Sim, gosto muito de fazer limpeza em casa, mas o carro costuma andar pior que as barracas dos ciganos.

Em conversa com o Miguel diz-me que o melhor era ligar ao mecânico e combinar com ele no dia antes para ter tempo de o deixar pronto ou para dar tempo de resolver algo que fosse necessário. Eu só reclamava e dizia que culpa era dele, pois quis comprar carro e eu é que tinha ficado com tudo para resolver. Ele ria e dizia "tu vais gostar tanto de conduzir o outro que vais querer ficar com ele para ti", "Mas porque raio sofres por antecipação quando sabes que vai tudo correr bem?". Ainda fiquei mais danada.

Fiz como me disse e ontem liguei ao mecânico. Combinamos que vinha ter comigo para colocar o carro a trabalhar. Enquanto as horas iam passando eu ia pensando nos meus problemas:

-Colocar o carro a trabalhar sem gastar muito dinheiro;

-Fazer isso antes das 15,30 h  uma vez que ia trabalhar;

-Acreditar que o carro no dia seguinte iria pegar quando o fosse entregar;

-Pedir a S. Pedro que não mandasse chuva, pois o limpa para brisas não funcionava e a chover o carro não podia sair;

- Conseguir trazer o carro novo inteiro até casa.

Como se não bastasse ainda me lembrei que da ultima vez que tinha andado com o carro ele tinha acendido a luz da reserva. A questão era se a gasolina daria para andar com o carro uns quilómetros até a bateria carregar e depois faze-lo chegar à bomba.

Pois, ontem para me deixar ainda mais ansiosa, nervosa e irritada o mecânico não apareceu. Felizmente que  o meu trabalho me impede de pensar nos problemas. Está explicado o meu estado de ontem e também deverão calcular o que o Miguel teve de ouvir quando falei com ele à noite. A noite foi péssima e além de ter sonhado que tinha trazido o carro novo aos soluços e que toda as pessoas olhavam para mim a gozar, o meu gato decidiu andar a brincar com a irmã gata e aterrou em cima da minha cara. Resultado um olho negro, inchado e cara arranhada.

Depois deste incidente já não consegui dormir mais(se se pode dizer que tenha dormido) e vou até à janela para ver o estado do tempo. Felizmente S. Pedro não mandou chuva. Menos um problema.

Telefono ao mecânico que me diz que dentro de meia hora está aqui. Assim foi. Cabos ligados, dou à chave e o carro trabalha. Ufa, menos um problema.

Ando vários quilómetros, sempre a olhar para a luz laranja da gasolina, ou melhor da falta dela e rezo que que chegue à bomba. Achei que os quilómetros que tinha feito eram suficientes para o carro não deixar de trabalhar. Claro que na bomba tive de o desligar e quando vou para me ir embora ele não pega. Mentalmente chamei tudo ao carro. O sr. da bomba prontificou-se a ir buscar os cabos para o por a trabalhar. Sabia que a única alternativa era, caso ele quisesse andar leva-lo directamente para o stand. Portanto nada de aspiração, nem de lavagem.

Assim foi. Felizmente o vendedor é porreirinho e não se importou do estado do carro. Afinal vai ser abatido. Castigo mais que merecido, depois de me ter infernizado a vida durante alguns anos e até ao ultimo segundo.

Faltava apenas fazer desaparecer a ultima dor de cabeça e diga-se não menos importante. Conduzir o carro até casa. Depois de uma explicação do vendedor lá cheguei a casa sã e salva assim como o belo carrinho. Sem soluços.

Confesso que nem olhei para o painel, que mais parece o da cabine do avião que o piloto mostrou .

Tudo correu bem e todas as ansiedade, medos, noites mal dormidas, com o Miguel foram desnecessárias. Espero que  a paciência dela não esgote, pois corro o risco de um dia me trocar por camelos (na melhor das hipóteses).

Sei que vos deixei ontem na expectativa, sem explicações e por isso sei que não mereço resposta, mas estou curiosa em saber a vossa opinião. É compreensível esta ansiedade? Os homens viriam as coisas tão negras como eu?