Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

No outro dia durante uma reunião e depois de já termos debatido os pontos importantes falávamos da nossa vida. De sentimentos, gostos e atitudes. Veio à baila o tema afectos. Algumas adoravam beijinhos e abraços, outras nem tanto. Uma delas era eu. 

Considero-me uma pessoa simpática e carinhosa (tem dias), mas sem envolver muito toque de pele.

Apesar de ser ter falado em alguns motivos, ou situações que pudessem levar as pessoa a evitarem esses afectos não me revi em nenhum.

Vim para casa a pensar que no meu caso seria uma questão de feitio, mas dias mais tarde voltei a pensar no assunto. Tinha voltado de ferias e uma das colegas viu-me e veio dar-me um abraço. Fiquei a pensar porque raio não era capaz de tomar essa iniciativa? Havia alturas que me apetecia fazer uma festa, dar um abraço, dar um beijo mas parecia que ficava bloqueada.

Veio à memoria algo que há muito não me recordava, mas que me fazia arrepiar e sentir nojo.

Tinha eu uns 11/ 12 anos quando a minha mãe me levou a um medico bastante conceituado da cidade. Apesar do senhor ser pneumologista era onde a grande maioria das pessoas recorriam quando havia algum sinal de doença. Nesse dia não sei de que padecia eu, mas  o medico disse à minha mãe que me ia tirar um RX. Ela ficou no consultório e acompanhei-o a uma divisão escura. Não me recordo se me tirou algum Rx, recordo-me de me dizer que me ia fazer uns exercício de relaxamento. Colocou-se atrás de mim e abraçou-me com força, varias vezes. Não me tocou nas partes intimas, mas recordo-me de sentir todo o seu corpo contra o meu. 

Na altura apesar de achar tudo aquilo estranho e me sentir muito desconfortável não contei aos meus pais nem a ninguém. Afinal era um medico muito importante em que todos confiavam e se fazia aquilo é porque fazia parte do tratamento.

Não sei quantos meses depois a minha mãe acabou por me levar lá novamente. E novamente lá fui para o quanto escuro e mais uma vez os mesmos "exercícios" e a mesma sensação de desconforto. Eu ficava imovel e sentia aquele corpo nojento colado ao meu.

Naquela altura não havia a informação que há hoje. Não sabia o que era assedio e abuso. Não sabia que ele estava a ter satisfação sexual.

Felizmente não voltei lá e esqueci o episódio até ao dia em que em conversa com uma amiga falámos no tal medico. Descobrimos que ambas vivemos situações iguais. Também ela achava estranho, mas não questionava nem nunca tinha contado a ninguém. 

Não sei se estes dois episódios que vivi influenciaram este meu pouco à vontade em abraçar e tocar, mas acredito que sim.

Tal como acredito que muitas mais crianças e adolescentes tenham sofrido estes abusos e escondido tal como eu e a minha amiga.

E será que nunca foi mais além com ninguém?

 

A estadia em Marrocos correu bem. Tão bem que conseguimos tratar de tudo nos 3 dias que lá estivemos. Coisa milagrosa, diga-se. Não que as coisas não se tratem, mas a língua muitas vezes é uma barreira tremenda. Desta vez entre o inglês, espanhol e francês conseguiu-se anular o contrato de televisão e Internet.

Contrato anulado, conta do banco cancelada e casa pronta para entregar, apenas falava carregar o carro. Confesso que quando olhei para toda a tralha achei que metade das coisas teriam de ficar. O carro veio cheio, mas trouxemos tudo.

Entre sair de casa em Marrocos, apanhar o barco, sair do porto de Tarifa, almoçar, fazer algumas paragens e chegar a casa passaram 10 horas. 

Chegámos cansados, mas ainda assim arrumamos muita coisa antes de nos deitarmos. Ao meio da tarde do dia seguinte estava tudo arrumado. Na altura fiquei de rastos, mas aliviada. Sou do género de pessoa que pensa "É para fazer? Então é para já", claro que pensar assim por vezes trás problemas e foi o que aconteceu.

Talvez pela longa viagem e pelo teimosia esforço de arrumar tudo rapidamente levantei-me com dor de pescoço. Na altura achei que era um torcicolo normal e que passaria com pomada. Além de não passar piorou tanto que tive de ir até às urgência.

Depois de 3 horas à espera, uma injecção, uma ida à farmácia vim para casa acompanhada com estes medicamentos

20170312_193236.jpg

Ontem achei que todos os nossos planos para hoje iriam falhar, mas parece que os medicamentos são milagrosos e apesar de empanada já estou muito melhor.

 

 

Há semanas terríveis, daquelas em que só acontecem coisas menos boas. Esta é uma delas.

Depois de fazer noite segunda e terça não consegui pregar olho devido às obras num dos apartamentos (desta vez não foi o puto e o seu skate).

Na noite de terça para quarta ao retirar uma idosa da cama dei mau jeito nas costas (e esta senhora não é nada pesada).

Ao longo do dia de quarta sinto uma ligeira dor à qual atribuo aos sintomas da gripe.

Na quinta acordo com a dor mais intensa, ainda que não me impedisse de andar ou de me baixar. Já o levantar era mais difícil. Deixei de pensar que seria da gripe e recordei o mau jeito do dia anterior. Nada que uma pomada não resolvesse. Achava eu, claro. Depois de a aplicar não vi melhoras nenhumas. Ainda pensei em tomar algo para as dores, mas optei por não o fazer devido ao meu problema de estômago.

Acabei por ir ao medico do seguro que diagnosticou uma inflamação dos tendões da zona lombar. Tratamento: 6 injecções e repouso absoluto.

Ainda tentei que me receitasse uma injecção de cavalo para hoje poder ir trabalhar (odeio faltar ao trabalho), mas disse-me que poderia tirar-me a dor, mas sem repouso a inflamação não passaria.

Aqui estou eu a parecer uma invalida com mais dores do que ontem, apesar de já ter levado uma das injecções.

 

 

 

 

 

Hoje a ansiedade tomou conta de mim e por mais que diga a mim mesma " vai tudo correr bem"  o medo está cá.

Daqui a nada vou fazer a mamografia e a eco mamária para ver se continua tudo estável ou se o nodulo cresceu.

Já passaram vários anos desde que foi detectado e sempre que tenho de repetir os exames revejo o momento em que a medica insistiu durante muito tempo no mesmo local. Recordo a minha pergunta "Drª está tudo bem?" e recordo a resposta dela "Já falamos", "vai ter de o repetir daqui a 3 meses". Recordo as minhas lágrimas e o olhar de pânico do meu marido quando me viu chegar à sala de espera.

Durante anos os exames foram feitos sempre no mesmo sitio, mas este ano não sei explicar o porquê, mas senti que deveria mudar.

Espero que não seja mau presságio.

Hoje estarei sozinha, mas acredito que acompanhada de boas vibrações de quem ler este post

 

 

Tenho andado desaparecida tanto aqui no blog como nos blogs que acompanho e desta vez não é apenas por falta de tempo. O animo não tem sido muito. 

Depois da desilusão que contei no ultimo post tive de ir ao hospital. Depois de ter a confirmação de que a fraqueza que sentia não tinha a ver com a suposta gravidez e uma vez que ela continuava bem presente fui à medica. Expliquei-lhe que há umas semanas tinha ido retirar pólipos no estômago, que sentia uma fraqueza terrível e que só iria saber do resultado no final do mês. Disse-me que sem o resultado não me poderia receitar nada e pediu-me para ir ao hospital buscar o relatório. Como tinha acabado de fazer noite, não tinha dormido e ainda por cima tinha mais uma noite para fazer disse-lhe que iria na semana seguinte. Perguntou-me " Joana não pode ir hoje?"

-Poder posso, mas ainda não dormi e logo vou fazer noite.

-Vá hoje e logo que tenha o exame venha mostrar-mo.

- Mas acha que é algo grave?

-Não, não pense nisso, apenas quero medica-la e não posso sem saber o resultado.

Sai de lá a pensar que se me tinha mandado ir naquele mesmo dia é porque achava que algo podia não estar bem. Não hesitei e fui.

Já imaginava que não ia ser fácil e até achei que não mo iriam dar, uma vez que a medica da gastro ainda não o tinha visto. Depois de pedir informação onde o pedir dirigi-me ao gabinete próprio para para pedidos (gestão de utentes). Informaram-me que não iria sair com ele naquele dia, mas que poderia fazer o pedido e que depois de assinado pelo director seguia para casa. Coisa que poderia demorar 1 semana. Demasiado tempo para o meu gosto e se até àquele dia eu achava que não tinha nada de grave depois da medica me ter pedido para lhe trazer o exame fiquei nervosa e ansiosa. Ocorreu-me ir a uma consulta nas urgências. Na minha ideia o medico iria conseguir ver o resultado e iria medicar-me. Lá fui eu.

Contei-lhe a verdade e depois de varias tentativas para conseguir abrir o exame sem sucesso aconselhou-me a ir até ao serviço de gastro e tentar que mo dessem.

Depois de 10 horas de trabalho em cima do lombo e mais 5 horas acordada o meu estado de espírito não era o melhor. Achava que não iria conseguir o raio de exame.

Depois de andar por vários corredores, varias explicações, vários "choradinhos" finalmente estava na minha mão. Voltei ao medico das urgências e mostrei-lho. Enquanto o abria sentia-me em pânico.

- Joana pelo que vejo não tem nada de grave. A medica na consulta de gastro irá indicar-lhe algum tratamento e certamente indicar-lhe quando deverá repetir nova endoscopia.

Tirei um peso de cima, mas continuava com o problema da fraqueza por resolver.

 Disse-me que essa sensação poderia ser dos pólipos.

-Pólipos? Oh dr, mas eles foram retirados.

- Sim, mas a zona pode estar inflamada.

Acabei por no dia seguinte ir à minha medica. Quando o abre respira fundo e diz "ai Joana que não sabe o alivio de ler este resultado".

-Então achava que era algo de grave?

- Sim achei que poderia ser muito mau.

Aconselhou-me a aguardar a consulta com a especialista. 

Parece que vou ter de andar com a marmita atrás de mim nas ferias. Sim, porque para matar esta fraqueza tenho de comer.

Oh céus!