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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Hoje foi dia de ir a uma consulta de dermatologia no hospital. O sinal na perna que em 2012 foi visto pelo médico simpatiquíssimo cresceu e mudou de aspecto. Segui as indicações que me deu na altura e procurei a minha medica  que passou uma credencial para a consulta de especialidade. 4 dias após tinha a carta para ir ao hospital.

Cheguei e fui fazer a inscrição, aguardei que a maquina indicasse a quantia a pagar e dizia "isenta". Fiquei desconfiada que tivesse algo errado com o meu numero de utente. Na ultima consulta de oftalmologia também não tinha pago nada. A mensagem tinha sido a mesma "isenta". Ora das 2 uma, ou me passaram a considerar pobre ou havia mesmo um engano.

Depois da consulta dirigi-me ao balcão de atendimento para verificarem o que se passava.

Segundo a pessoa que me atendeu a primeira consulta de cada especialidade pedida pelo Centro de Saúde não paga taxas moderadoras. Informei-a que em 2012 já tinha tido consulta de dermatologia, logo não era a primeira.  Disse-me "Ah, mas isso já foi há muito tempo. A de hoje é como se fosse a primeira vez."

Continuo com a pulga atrás da orelha. Daqui a uns tempos são bem capazes de mandar a conta para pagar e acrescida de juros.

Ah, quanto ao sinal? Está tudo bem.

 

Quando a medica chegou, vinda não sei de onde perguntou à auxiliar " Já telefonou para o informático?

A resposta deixou-me de boca aberta " Não atendeu. Saiu às 5 horas".  Eu sabia que ela não tinha ligado, mas fiquei caladinha. Apenas queria ser consultada e ir embora daquele local que mais parecia um hospital de doidos.

-Saiu? Ainda à pouco tempo falei com ele.

Mandou-me entrar no consultório e diz-me " Estou a trabalhar à 2 dias e já estou de rastos. É impossível trabalhar assim".

Agarra no telefone, marca um numero e começa a bater com ele na mesa. Uma, duas, três e quatro vezes. Naquela altura tive a certeza que aquilo seria para os apanhados. Uma medica que me deu um puxão de orelhas sem eu ter alguma culpa, uma medica que berra, uma auxiliar que não faz o que a medica mandou e diz que fez e para finalizar ainda vejo a medica a bater com o telefone na secretaria. Só poderia ser para algum canal de TV.

Do outro lado da linha alguém falou e tive a certeza que estava a falar com o tal informático. Ora se assim era presumi que a auxiliar iria ter problemas com a mentira.

A medica irritada tentava provar ao homem que aquilo não estava a funcionar e que não podia sair do consultório de cada vez que tinha de chamar um doente. A irritação dela era evidente e via-se que aumentava. Vira-se para mim e diz-me " se faz favor chame-me a auxiliar".

Por momentos pensei em dizer-lhe "vá lá a Drª", mas levantei-me feito um cordeirinho e fui à procura dela. Encontro-a agarrada à esfregona e digo-lhe " a medica mandou-me chama-la. Deve de achar que sou filha dela ou moça de recados". Chegada ao consultório ainda está ao telefone diz-lhe "com que então já tinha saído? Engraçado estou a falar com ele". " Telefonei mas como ninguém atendeu pensei que tivesse saído às 5". A medica ainda lhe disse algumas palavras menos simpáticas, mas com razão, diga-se.

No final do telefonema diz-me que assim é impossível de trabalhar, que ninguém quer trabalhar e que a vontade dela é pegar nas coisas e ir embora.

Eu estava enervada e irritada com todas aquelas situações, mas tinha de dar razão à medica. Trabalhar sem condições e com pessoas que não se esforçam para que as coisas corram bem deixa qualquer um à beira de um ataque de loucura.

Quanto à consulta propriamente dita foi feita e com o diagnostico que estava tudo bem com os meus olhos. 

Sendo assim parece que vou ter de voltar à medica de família para me enviar a outra especialidade e ver se descobrem o porquê da visão turva e psicadélica.

 

Tenho andado ausente, não porque não me apeteça escrever, mas os meus horários, a estadia do Miguel por cá, a ida dele, as arrumações da casa, as dores de estômago e a ida ao medico têm-me deixado sem tempo.

Ontem foi dia de ida ao medico, não por causa do estômago, que vai-se recompondo aos poucos, mas devido à visão psicadélica .

Devo dizer que fiquei impressionada com a rapidez com que fui chamada ao hospital. 1 mês após a medica de família ter enviado a credencial fui atendida. Recordo-me de ouvir as pessoas falarem que estavam meses à espera por uma consulta. Das 2 uma, ou não há doentes ou há mais médicos.

Antes da hora marcada lá estava eu com a inscrição feita e mal me tinha sentado já estava a ser chamada. Fizeram-me os exames normais que fazem no oculista e mandaram-me aguardar  informado-me que me chamariam novamente pelo mesmo numero. Fui lendo uma revista e olhando para o ecrãn não fosse chamarem-me e eu não ver. Creio que uma meia hora depois entra na sala de espera uma medica, com sotaque estrangeiro e pergunta, com voz irritada pelo numero 0666. Ninguém se acusou e ela diz " Não estão atentos?". Novamente não se ouviu ninguém e ela com a voz ainda mais irritada pergunta " Quem é a Joana Maria?". Ora Joana Maria era eu, mas não era o numero que ela tinha chamado, mas ainda assim levanto-me e digo "Sou eu". Nem me deixou acabar e diz-me em tom autoritário " Não está atenta ao ecrãn?". Em espaço de segundos pensei "Ai santíssimo sacramento que isto vai correr muito mal".  Respirei fundo e disse-lhe que apesar de me chamar Joana Maria não tinha o numero que ela tinha chamado e mostro-lhe a senha. Manda-me entrar para um corredor onde estão os gabinetes médicos e começa aos berros a chamar o nome de alguém. Deduzi que seria alguma auxiliar ou enfermeira. Depois de varias tentativas frustradas e aumentando o volume lá diz alguém "ela já foi embora".  "Então venha cá você".

Naquela altura recordei-me da minha consulta de dermatologia no mesmo hospital e ao comparar o momento achei que tinha o condão de trair médicos tão simpáticos .

A auxiliar aproximou-se com cara de que não lhe apetecia nada e pergunta-lhe o que se passava. 

- Telefone para o informático e diga-lhe que o numero que eu chamo no computador não é o mesmo que aparece no ecrãn.

- Mas já se telefonou e o problema é da maquina onde se faz a inscrição...

-Não quero saber. Telefone e fale com a pessoa.

Vira as costa e vai embora. Eu ali fico no corredor a barafustar coisas do género "isto vai correr muito mal", "a mulher é doida", " acordou mal disposta e eu é que vou pagar". A auxiliar sorri para mim e faz sinal como quem diz "haja paciência".

Pensei que ela iria pegar no telefone e fazer o que a medica lhe tinha ordenado, mas pegou na esfregona e continuou na limpeza.

Ali estava eu à espera e a pensar se aquilo não seria uma cena para os apanhados. 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho andado desaparecida tanto aqui no blog como nos blogs que acompanho e desta vez não é apenas por falta de tempo. O animo não tem sido muito. 

Depois da desilusão que contei no ultimo post tive de ir ao hospital. Depois de ter a confirmação de que a fraqueza que sentia não tinha a ver com a suposta gravidez e uma vez que ela continuava bem presente fui à medica. Expliquei-lhe que há umas semanas tinha ido retirar pólipos no estômago, que sentia uma fraqueza terrível e que só iria saber do resultado no final do mês. Disse-me que sem o resultado não me poderia receitar nada e pediu-me para ir ao hospital buscar o relatório. Como tinha acabado de fazer noite, não tinha dormido e ainda por cima tinha mais uma noite para fazer disse-lhe que iria na semana seguinte. Perguntou-me " Joana não pode ir hoje?"

-Poder posso, mas ainda não dormi e logo vou fazer noite.

-Vá hoje e logo que tenha o exame venha mostrar-mo.

- Mas acha que é algo grave?

-Não, não pense nisso, apenas quero medica-la e não posso sem saber o resultado.

Sai de lá a pensar que se me tinha mandado ir naquele mesmo dia é porque achava que algo podia não estar bem. Não hesitei e fui.

Já imaginava que não ia ser fácil e até achei que não mo iriam dar, uma vez que a medica da gastro ainda não o tinha visto. Depois de pedir informação onde o pedir dirigi-me ao gabinete próprio para para pedidos (gestão de utentes). Informaram-me que não iria sair com ele naquele dia, mas que poderia fazer o pedido e que depois de assinado pelo director seguia para casa. Coisa que poderia demorar 1 semana. Demasiado tempo para o meu gosto e se até àquele dia eu achava que não tinha nada de grave depois da medica me ter pedido para lhe trazer o exame fiquei nervosa e ansiosa. Ocorreu-me ir a uma consulta nas urgências. Na minha ideia o medico iria conseguir ver o resultado e iria medicar-me. Lá fui eu.

Contei-lhe a verdade e depois de varias tentativas para conseguir abrir o exame sem sucesso aconselhou-me a ir até ao serviço de gastro e tentar que mo dessem.

Depois de 10 horas de trabalho em cima do lombo e mais 5 horas acordada o meu estado de espírito não era o melhor. Achava que não iria conseguir o raio de exame.

Depois de andar por vários corredores, varias explicações, vários "choradinhos" finalmente estava na minha mão. Voltei ao medico das urgências e mostrei-lho. Enquanto o abria sentia-me em pânico.

- Joana pelo que vejo não tem nada de grave. A medica na consulta de gastro irá indicar-lhe algum tratamento e certamente indicar-lhe quando deverá repetir nova endoscopia.

Tirei um peso de cima, mas continuava com o problema da fraqueza por resolver.

 Disse-me que essa sensação poderia ser dos pólipos.

-Pólipos? Oh dr, mas eles foram retirados.

- Sim, mas a zona pode estar inflamada.

Acabei por no dia seguinte ir à minha medica. Quando o abre respira fundo e diz "ai Joana que não sabe o alivio de ler este resultado".

-Então achava que era algo de grave?

- Sim achei que poderia ser muito mau.

Aconselhou-me a aguardar a consulta com a especialista. 

Parece que vou ter de andar com a marmita atrás de mim nas ferias. Sim, porque para matar esta fraqueza tenho de comer.

Oh céus!

 

Desde que o Miguel se foi embora que raramente durmo na cama, pois adormeço no sofá e por ali acabo a noite. Sábado não foi excepção. Adormeci cedo e cerca da 1,30 h acordei com a chegada da filhota. Levantei-me e fiz-lhe companhia, ambas com uma taça de cereais à frente. Voltei novamente para o sofá e rapidamente adormeci. Acordo com o som de uma mensagem no telemóvel. 2,15 da manhã. Naquela altura não me lembrei que a filhota já estava e casa e claro como todas as mães (quase todas) fiz logo o filme em que a miúda estava em apuros. Olho para o telemóvel e vejo um numero que não consegui identificar o que me fez ficar mais ansiosa. Abro a mensagem e lei-o " A consulta de gastro do dia 2 de Junho foi remarcada para dia 23..."

Fiquei danada a praguejar "mas isto são horas de mandar uma mensagem?". Imagino que seja automático, mas caramba será que não podiam programar a mensagem para uma hora decente?

Voltei a deitar-me e o gato para me arruinar ainda mais a noite decide fazer uma corridas atrás da irmã. Eu com receio de acabar com nova tatuagem decidi ir para a cama. Nem assim me deu sossego. O raio do gato insistiu para se deitar em cima do monte da roupa passada ferro.

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Acordei com umas olheiras capaz de meterem medo ao susto.  

 

 

Desde que soube quando ia ao hospital fazer a cirurgia para retirar os pólipos que tinha ideia de ir com os meus pais, mas desde que o vi conduzir mudei de ideias (esta aventura ficará para um outro post). Já irei nervosa o suficiente portanto não precisos de mais nervos.

Visto que o Miguel está longe não me pode acompanhar e a filhota com contracto temporário não quero que falte para me acompanhar e correr o risco de ficar sem emprego vou sozinha.

Agora estou aqui acagaçada e a contar as horas para o pesadelo acabar.

Espero que a anestesia faça efeito e eu não sinta nada, que enfiem o tubo no sitio certo, que não seja alérgica à anestesia e não encontrem nada de grave.

Vai haver muita choradeira, muitos nervos, muita ansiedade e não vou ter ninguém para me segurar na mão.

Fiquem desse lado a torcer por mim para voltar para casa sã e salva.

 

 Depois de 1 ano à espera Abril será o mês de retirar os pólipos no estômago. Hoje começou a minha saga e começou também a fase em que a ansiedade e o medo se vai instalar. Fui bem cedo para o hospital e lá passei toda a manhã a fazer analises, RX e electrocardiograma. Como devem calcular andei de um lado para o outro, foi o senta levanta, o despe e veste. Chegada a casa almocei e fui dormir, pois daqui a uma horitas vou fazer noite. Este foi um daqueles dias que detesto, em que não fiz nada de produtivo e o dia passou a correr. A minha sorte é que amanhã começo de ferias e vou ter a presença do maridão durante uns dias.

Haverá forma de colocar o relógio a andar mais rápido, para mais rapidamente chegar sexta feira?

Há uns anos tiveram de me parar o coração com uma injecção de Adenosina para ele voltar a trabalhar normalmente já que ele batia desgovernado. Nessa altura apesar de sentir medo de morrer não foi tão assustador como o que me aconteceu hoje. No ultimo post já tinha contado que tinha alguns episódios de falta de ar e assim continuo. Nesse mesmo dia voltei à urgência no centro de saúde com as mesmas queixas da ultima ida. Medicamentos novos, analises à tiróide e diagnostico igual ao anterior: alergia a algo.

Certo que na sexta e no sábado me senti menos rouca e não tive nenhum episodio de falta de ar o que me fez pensar que o pior tinha passado. Engano meu e hoje ao levantar-me fiquei sem ar novamente. Desta vez demorou muito mais a passar e achei mesmo que morreria. Foi assustador para mim e para a minha filha que estava em pânico por não saber o que fazer.

Resta-me passar a noite de hoje e deslocar-me ao hospital pela manhã uma vez que ao fim de semana não há médicos de especialidade.

Rezo para que não passe por mais nenhum momento assustador e se o passar que consiga sobreviver.

Depois da morte do pai e passando apenas 22 dias morre a filha.

A minha prima tinha 52 anos e há cerca de 3 anos "ganhou" um cancro. Neste espaço de tempo sofreu muito e segundo a minha mãe a grande maioria das vezes ainda conseguia dar um sorriso. Nesses 3 anos teve de saber lidar com uma colostomia, teve de saber lidar com a colocação do saco de Colostomia (imagino que nada fácil de aceitar), teve vários internamentos e acabou os dias numa Unidade de Cuidados Continuados, onde acredito ter sido tratada com dignidade e que fizeram tudo para que não tivesse dores. Nesses 3 anos, também viu nascerem 2 netos, que infelizmente não poderá vê-los crescer devido a esse monstro maldito chamado cancro.

Hoje irei acompanha-la à ultima morada.