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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

No outro dia durante uma reunião e depois de já termos debatido os pontos importantes falávamos da nossa vida. De sentimentos, gostos e atitudes. Veio à baila o tema afectos. Algumas adoravam beijinhos e abraços, outras nem tanto. Uma delas era eu. 

Considero-me uma pessoa simpática e carinhosa (tem dias), mas sem envolver muito toque de pele.

Apesar de ser ter falado em alguns motivos, ou situações que pudessem levar as pessoa a evitarem esses afectos não me revi em nenhum.

Vim para casa a pensar que no meu caso seria uma questão de feitio, mas dias mais tarde voltei a pensar no assunto. Tinha voltado de ferias e uma das colegas viu-me e veio dar-me um abraço. Fiquei a pensar porque raio não era capaz de tomar essa iniciativa? Havia alturas que me apetecia fazer uma festa, dar um abraço, dar um beijo mas parecia que ficava bloqueada.

Veio à memoria algo que há muito não me recordava, mas que me fazia arrepiar e sentir nojo.

Tinha eu uns 11/ 12 anos quando a minha mãe me levou a um medico bastante conceituado da cidade. Apesar do senhor ser pneumologista era onde a grande maioria das pessoas recorriam quando havia algum sinal de doença. Nesse dia não sei de que padecia eu, mas  o medico disse à minha mãe que me ia tirar um RX. Ela ficou no consultório e acompanhei-o a uma divisão escura. Não me recordo se me tirou algum Rx, recordo-me de me dizer que me ia fazer uns exercício de relaxamento. Colocou-se atrás de mim e abraçou-me com força, varias vezes. Não me tocou nas partes intimas, mas recordo-me de sentir todo o seu corpo contra o meu. 

Na altura apesar de achar tudo aquilo estranho e me sentir muito desconfortável não contei aos meus pais nem a ninguém. Afinal era um medico muito importante em que todos confiavam e se fazia aquilo é porque fazia parte do tratamento.

Não sei quantos meses depois a minha mãe acabou por me levar lá novamente. E novamente lá fui para o quanto escuro e mais uma vez os mesmos "exercícios" e a mesma sensação de desconforto. Eu ficava imovel e sentia aquele corpo nojento colado ao meu.

Naquela altura não havia a informação que há hoje. Não sabia o que era assedio e abuso. Não sabia que ele estava a ter satisfação sexual.

Felizmente não voltei lá e esqueci o episódio até ao dia em que em conversa com uma amiga falámos no tal medico. Descobrimos que ambas vivemos situações iguais. Também ela achava estranho, mas não questionava nem nunca tinha contado a ninguém. 

Não sei se estes dois episódios que vivi influenciaram este meu pouco à vontade em abraçar e tocar, mas acredito que sim.

Tal como acredito que muitas mais crianças e adolescentes tenham sofrido estes abusos e escondido tal como eu e a minha amiga.

E será que nunca foi mais além com ninguém?

 

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