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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Não gosto de monotonia e ando sempre tão eléctrica que costumo dizer que durmo ligada à corrente, tal é a minha energia, mas neste momento necessitava de desligar essa "corrente" e não posso.

As obras da casa estão a deixar-me louca cansada e sem tempo para fazer o que gostaria.

Não tenho tempo para o meu blog, nem para o blog clube dos gatos. Não tive tempo para ir a este encontro que tanto gostava. Não tenho tempo para visitar os blogs que tanto gosto. E não tenho tempo para estar de papo para o ar no sofá.

Nas semanas anteriores a minha vida esteve repleta de tintas, azulejos, mudanças de morada e parece que assim vai continuar nos próximos meses tempos.

Ah e o pedreiro? 

O homem vai fazer com que eu rebente de stress.

A morte é algo traz sempre o sentimento de tristeza, poderá  até ter o sentimento de alivio( por deixar de sofrer), mas  a tristeza está sempre de mãos dadas com a morte.

Este fim de semana foi a enterrar mais um amigo nosso. 41 anos...

Recordo-me das suas palavras 2 meses antes, quando estávamos no funeral do ultimo amigo que faleceu "amanhã vou ao hospital a uma consulta, mas o medico diz para não me preocupar que não é nada de grave."

Esta morte, tal como esta e mais a morte de 2 amigos que faziam todos parte do mesmo grupo de amizade fazem-me pensar em como a vida pode ser tão curta. Que por vezes damos importância a coisas que não importam nada. 

Já esperava que a compra de casa e as obras trouxessem muita dor de cabeça, mas tanta como estou a ter não imaginava.

Hoje telefona-me o Miguel a perguntar se estou em casa, pois o pedreiro estava na rua e precisava que lhe fossem abrir a porta. 

- O quê deixou novamente as chaves dentro de casa?

-Parece que não. Diz que não a consegue abrir. 

Lá fui eu a dizer palavrões (por este andar vou direitinha ao inferno).

Desta vez o homem não teve culpa e sim o Miguel.

A ultima vez que o Miguel lá foi fechou a porta com varias voltas e a chave do pedreiro só consegue abrir com duas voltas como tal ficou na rua.

Estou a pensar que o melhor é ir à bruxa.

Imagino que para quem passa por aqui com mais frequência tenha achado estranho não ter feito mais nenhum post acerca das obras de casa. Certamente pensarão que esta obra é a primeira sem problemas e sem imprevistos.

Como eu gostaria dizer que não tenho nadita para contar, que tudo está a correr maravilhosamente bem e que a coisa  vai ser acabada dentro do previsto.

Não sei se começo pela perda das chaves, se pela rotura de agua ou se pelo andar da obra "devagar devagarinho".

Vou começar pelas chaves.

Entregámos uma chaves ao pedreiro para poder entrar e sair quando lhe desse jeito e sem eu e o Miguel tivessemos de faltar ao trabalho.

No segundo dia de obras recebo um telefonema do homem a dizer que havia um grave problema. Confesso que achei que tinha havido alguma inundação ou coisa do género e pergunto-lhe " Problema? O que foi agora?"

- Ah vim trazer lixo e deixei as chaves dentro de casa e agora não posso entrar.

Por um lado fiquei aliviada, pois aquele "problema não iria acentuar a derrapagem no orçamento, mas por outro fiquei tão irritada, mas tão irritada que me fartei de dizer palavrões, depois de desligar o telemóvel.

Tive de sair do trabalho para lhe abrir a porta. Assunto resolvido voltei ao trabalho até às 22 h.

Quando cheguei a casa contei ao Miguel da peripécia do pedreiro e das chaves e pergunta-me " Então perdeu as chaves 2 vezes?"

Não estava a perceber nada e conta-me que quando saiu do trabalho passou pela obra e encontrou o pedreiro junto ao caixote do lixo. Quando chegou junto dele diz que estava branco e a transpirar e que lhe disse "Miguel estou fod#%do, já virei o contentor 2 vezes e não encontro as chaves de casa".

Ora onde estavam as chaves?

Dentro de casa, ou seja mais uma vez veio à rua e esqueceu-se das chaves lá dentro.

Sorte a dele do Miguel ter chegado porque se me ligasse novamente tinha-o "comido".

Cheira-me que vou ter alguns episódios stressantes "engraçados" com o homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia combinado encontrei-me com o sr. António à porta da sua Josefa. Vi a felicidade no rosto, tal como vi a dela quando o viu. 

Soube o meu nome, perguntou-me pelo Miguel e confessou que estava feliz por estarmos ali. Levou-nos até à sala e foi-nos buscar um bolo depois sentou-se e ali estivemos os 3 a conversar.

O Sr António contou-me como se conheceram e como nasceu aquele amor. Ouvindo-o tive a certeza que o amor pode ser tão intenso num casal jovem como num casal acima dos 80 anos.

Ouvindo-a falar foram varias as vezes que pensei que ali não havia alzheimer, que a ali se encontrava a mesma mulher lúcida que eu tinha conhecido uns anos antes. Infelizmente a doença deu alguns sinais. Do nada vieram conversas sem sentido às quais não consegui entrar "no jogo" como faço com os idosos que cuido. Fiquei em silêncio.

Quando de lá sai não tive duvidas que aquele bocadinho tinha valido tanto como se fossem anos para aqueles dois.

Ficou a promessa que iríamos repetir a visita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confesso que achei que estava a exagerar, pois ali estava ela a falar normalmente sem sinal da doença. A minha experiência com o Alzheimer nos idosos que cuido é bem diferente, pois quando vão para a Instituição vão com a doença muito evoluída.

Sempre que estavamos com o meu sogro perguntávamos como estava a sua Josefa. "Uns dias bem e outros mal em que não sabe onde pões as coisas", dizia ele.

Um dia contou-nos que ela tinha ido lá a casa e depois de ir embora lhe tinha ligado a perguntar se não tinha lá deixado a mala. Depois de lhe dizer varias vezes que não e ela dizer que de certeza que a tinha deixado resolveu lá ir para ver com os próprios olhos. Contou-nos que lhe tinha dito " Josefa telefonaste-me de casa portanto quer dizer que entraste em casa e tinhas a mala de certeza porque a chaves de casa estavam lá dentro. Portanto a mala tem de estar dentro de casa".

Acabou por lá ir com ela e depois de procurarem encontraram-na dentro do roupeiro.

Durante algum tempo ainda ia ter com ele e saiam, mas as visitas foram ficando cada vez mais espaçadas. Sempre que lhe falávamos nela víamos a tristeza dele. 

A semana passada acompanhei-o à uma consulta no medico de família e enquanto esperávamos conversávamos sobre a Josefa. Falava-me das saudades que tinha de estar com ela, em como ela era muito boa para ele e que nunca tinha havido um amuo ou zanga durante os 11 anos que saiam juntos. 

Tanto eu como o Miguel achávamos que por vezes ainda se viam e só ali tive a certeza que a ultima vez tinha sido há 3 meses. Questionei-do do porquê de não ir visita-la. Disse-me que não o conseguia fazer pois tinha receio de ser o causador de problemas com as filhas e de faltar alguma coisa lá de casa e acusarem-no. Disse-lhe que não devia de pensar assim e que tinha de pensar nele e nela, que estarem juntos ia fazer bem aos dois.

Decidi ali que tinha de fazer alguma coisa e digo-lhe " Sr António então e se eu for lá consigo?"

Com um sorriso enorme diz-me "Isso era maravilhoso. Vocês vai mesmo comigo?"

Combinámos então que na semana seguinte lá iríamos.

Assim do nada começou com uns arrotes estranhos e perdeu os sentidos. Chamei-o varias vezes e vendo que não reagia acabei por ir chamar por ajuda.

Os sinais vitais estavam normais, mas como vomitava e cambaleava um pouco a medica achou melhor ir ao hospital.

Esteve lá varias horas e os vários exames não demonstraram nenhum problema.

O Miguel acha que foi a emoção de saber que ia ver a sua Josefa novamente.

 

 

A história que trago é real e recheada de sentimentos. É longa por esse motivo irei contar por partes.

O meu sogro ficou viúvo há cerca de 13 anos e durante o ano seguinte quis viver o luto em casa abdicando das coisas que gostava de fazer. O teatro e coro que fazia parte. 

Inicialmente fazia-lhe a limpeza semanal, mas rapidamente me pediu para ser ele fazê-la pois era uma forma de passar o tempo. Passava a ferro, fazia a limpeza ( ainda que tenha o defeito terrível de não deitar nada fora, mas ficará para outro post), fazia comida (embora fosse quase sempre batatas e bacalhau) e ainda tinha genica para ir cultivar o terreno. Durante cerca de 1 ano estas eram as tarefas e apenas saia quando não tinha alternativa. 

Depois daquele ano enclausurado começou a sair regressando ao teatro, ao coro e aos bailaricos. Ficámos contentes por ter recomeçado a viver.

Recordo-me do natal há 11 anos atrás, tinha ele 78 anos,quando o questionámos se tinha uma namorada (tínhamos ouvido uns comentários) . Entrou na brincadeira e confessou que tinha uma colega dos bailaricos, chamada Josefa. Brincamos com a situação dela ser 20 anos mais nova.

O tempo foi passando e acabaram por se tornar inseparáveis. Para o filho aquela relação era algo de bom e fazia o pai feliz.

Confesso que inicialmente colocando o meu pai na situação dele me fez alguma confusão. Pensar que ele tinha outra mulher que não a minha mãe e eu aceitar era como se eu própria a tivesse a trair. Em conversa com o Miguel acabei por entender que o importante era a felicidade actual e não viver agarrado ao passado.

Sempre que o velhote estava connosco falava da senhora com um carinho enorme e naturalmente que a convidámos para o natal em nossa casa. Vimos com os próprios olhos a felicidade deles. Aliás fisicamente o homem tinha ganhado anos de vida. 

Os anos foram passando e eles todos os dias estavam juntos. Para nós era um descanso, pois sabíamos que se apoiavam um ao outro.

Há cerca de 1 ano encontrei-a e revela-me que lhe tinha sido diagnosticado alzheimer.

 

 

Um destes dias fui ter ao hospital para acompanhar o meu sogro que tinha seguido de ambulância. Cheguei e estacionei o carro no parque de estacionamento a pagar. 5 horas depois resolvo vir embora uma vez que já tinha sido visto pelo medico e aguardava o resultado dos exames. Dirigi-me à maquina para pagar o estacionamento e cada vez que introduzia o ticket ele era cuspido com uma mensagem de erro. Tentei varias vezes sem sucesso e resolvo e outra maquina um pouco mais longe. Tive o mesmo problema e já desesperada carrego no botão das "informações". Ao mesmo tempo que do outro lado me atendem vejo que o ticket tinha sido validado. Explico ao senhor a dificuldade e agradeço. Já no carro e junto à maquineta introduzo o bilhete e dá a mesma mensagem de erro. Depois de umas 5 tentativas vejo que tenho 3 carros atrás de mim e começo a desesperar. O carro mais próximo de mim faz marcha atrás de forma a mostrar que também está impaciente e decido também fazer o mesmo e coloquei o carro de forma que os outro pudessem passar. Sai do carro e com o ticket na mão tento novamente. Nada, nadita. Resolvo então tocar no botão das informações. Sou atendida por uma alminha que me diz com maus modos "diga". Explico que tive muita dificuldade em pagar e validar e que agora não consigo sair. Diz-me com arrogância " a senhora tem trazer o carro até à saída". Respondo-lhe "eu sei que tenho e já lá estive, mas por amabilidade e porque tinha vários carro à espera resolvi sair". Com a mesma amabilidade antipatia diz-me "meta-se no carro para eu resolver o problema".

Achei que tinha de lhe responder na mesma moeda e digo-lhe "Então resolva lá o problema e abra a merda da passagem".

Não bastava eu ter lá estado uma data de horas e ainda tinha que levar com a má disposição da besta.

 

...não do estado, mas o meu.

Com a compra da casa a primeira derrapagem foi com a fechadura da porta de entrada. Inicialmente estávamos a fazer conta de trocar apenas o canhão, mas acabámos por ter de colocar uma nova. Fiquei de cabelo em pé.

Hoje decidimos mudar a tubagem da agua. 

Por este andar o o orçamento cá de casa é como o orçamento do estado que nunca bate certo.

 

Depois da primeira tentativa para comprar casa ter falhado (graças ao Sr. avaliador ) a segunda foi concretizada.

Durante vários anos tanto eu como o Miguel dissemos que não voltaríamos a comprar casa. Não queiramos ter de voltar a lidar com empréstimos, spreed, IMI nem seguros obrigatórios, mas verificar os aumentos enormes nas rendas e a dificuldade em alugar algo que nos satisfizesse fizeram-nosmudar de ideia.

Conseguimos comprar apartamento dentro do preço que pretendíamos e com boas áreas. Embora pudéssemos ir já para lá viver optámos por fazer remodelação de algumas divisões.

Parece que a minha dor de cabeça e stress vão aumentar.

O fim de semana foi passado a escolher azulejos, tintas, chão, sanitas, armários e afins na Leroy Merlin de Coimbra.

Já lá tínhamos ido antes de concretizarmos o negócio, pois queriamos ter uma ideia de quanto iriamos gastar. Voltamos este fim de semana e tal como da primeira vez fomos atendidos por vários funcionários e todos eles com enorme simpatia e paciência.

Estamos de rastos, mas contentes com as escolhas.