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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Quando escrevi este post sobre o envelhecimento dos que são nossos tive um comentário em que dava a entender que eu era insensível na minha profissão uma vez que olhava para os meus pais de outra forma. 

Pois bem mais uma vez trago um tema que poderá fazer com que me vejam como insensível na minha profissão.

Vários utentes da Instituição onde trabalho têm a doença de alzheimer. Dou-lhe banho, visto-os, dou-lhe comida, muitas vezes à boca, dou-lhes afecto ( quando mo permitem, pois alguns não gostam), converso com eles, mesmo sabendo que aquela conversa é um emaranhado de historias sem sentido. Além das muitas vezes que tenho de lidar com a agressividade da parte de alguns. Faz parte da profissão saber lidar com isto. Se é fácil? Não não é. Muitas vezes dou por mim a tentar imaginar como seria a vida daquela pessoa antes de ter a doença, como seria a sua vida familiar e se a pessoa foi tendo a noção da evolução da doença.

Seria uma péssima profissional se dissesse que não me entristece e me choca ver situações destas, mas seria hipócrita se dissesse que sinto exactamente o mesmo quando tenho de lidar com familiares meus ou com pessoas próximas de mim com esta doença.

Quando recebo um utente novo é-me apresentado com as suas limitações, com as suas doenças portanto é assim que o vejo. Agora ver um dos meus a decair e a transformar-se em alguém que não conhecemos é bem mais duro, mais triste e mais difícil de aceitar.

O meu sogro tem perto de 90 anos, ficou viúvo há vários anos e depois de ficar fechado em casa bastante tempo conheceu uma senhora que lhe veio dar um novo alento à vida. Cá em casa dizemos que é a namorada, mas ele quando se refere a ela diz "a minha colega Josefa". Não vivem juntos mas estão diariamente juntos. Se bem que ultimamente não acontece com a mesma frequência para tristeza dele e nossa.

Foi ela mesma que me falou que tinha a doença de Alzheimer. Na altura achei que talvez estivesse a exagera um pouco, pois não via nenhum sinal da doença. Infelizmente não estava.

Ontem vimos a tristeza com que o meu sogro falou da namorada colega e nos contou alguns episódios.

Dizia ele " A Josefa esteve cá em casa no outro dia e depois de ir embora telefonou-me a perguntar se a mala dela tinha cá ficado. Disse-lhe que não e ela continuava a insistir que tinha de cá estar. Perguntei-lhe de onde estava a telefonar e disse-me que era de casa. Disse-lhe "Oh Josefa se entraste em casa é porque tinhas a mala porque as chaves estavam lá dentro". Como insistia que que as tinha deixado aqui acabei por lá ir. Então não é que a tinha arrumado no roupeiro e não se lembrava?"

 " Cada dia que passa está pior. No outro dia fomos passear e quando a fui levar a casa disse-me para esperar que ia lá cima buscar umas coisas que tinha comprado para mim. Esperei mais de meia hora e como não vinha fui tocar à campainha.Quando entrou em casa esqueceu-se de mim".

Serei uma má profissional por sentir uma maior tristeza nesta situação do que com os utentes com que trabalho?

É impossível não olharmos para os nossos com outro olhos...

 

 

 

 

 

 

Com esta nova etapa da minha vida deveria andar feliz, deveria andar pulos de alegria não devia?

Pois nada mais de errado. 

O dia doloroso de ontem, as dores que ainda me apoquentam hoje, a procura de casa que não tem sido nada produtiva, a ida à loja da NOS para cancelar o contrato que o Miguel tinha em Marrocos e que foi mais difícil do que seria suposto são os motivos que me fazem andar irritada, implicativa e com um humor que dá pena.

Então eu não merecia estar com boa disposição para poder usufruir da companhia do Miguel?

A continuar assim ainda corro o risco dele se fartar de mim e voltar para Marrocos ou outro país qualquer.

 

A estadia em Marrocos correu bem. Tão bem que conseguimos tratar de tudo nos 3 dias que lá estivemos. Coisa milagrosa, diga-se. Não que as coisas não se tratem, mas a língua muitas vezes é uma barreira tremenda. Desta vez entre o inglês, espanhol e francês conseguiu-se anular o contrato de televisão e Internet.

Contrato anulado, conta do banco cancelada e casa pronta para entregar, apenas falava carregar o carro. Confesso que quando olhei para toda a tralha achei que metade das coisas teriam de ficar. O carro veio cheio, mas trouxemos tudo.

Entre sair de casa em Marrocos, apanhar o barco, sair do porto de Tarifa, almoçar, fazer algumas paragens e chegar a casa passaram 10 horas. 

Chegámos cansados, mas ainda assim arrumamos muita coisa antes de nos deitarmos. Ao meio da tarde do dia seguinte estava tudo arrumado. Na altura fiquei de rastos, mas aliviada. Sou do género de pessoa que pensa "É para fazer? Então é para já", claro que pensar assim por vezes trás problemas e foi o que aconteceu.

Talvez pela longa viagem e pelo teimosia esforço de arrumar tudo rapidamente levantei-me com dor de pescoço. Na altura achei que era um torcicolo normal e que passaria com pomada. Além de não passar piorou tanto que tive de ir até às urgência.

Depois de 3 horas à espera, uma injecção, uma ida à farmácia vim para casa acompanhada com estes medicamentos

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Ontem achei que todos os nossos planos para hoje iriam falhar, mas parece que os medicamentos são milagrosos e apesar de empanada já estou muito melhor.

 

 

Se tudo correr dentro do planeado amanhã regressamos a Portugal. Deixar um país não é apenas ir embora. Há muita coisa tratar para para não vir a ter problemas. É cancelar o contrato com a operadora de Internet, é fechar a conta no banco, é deixar agua e luz pagas e entregar a casa tal como a alugaram.

Alguns amigos diziam "Cancelar contratos? Fechar conta no banco? Oh pá é só levantares todo o dinheiro e vires embora". Gostamos de tudo certinho e direitinho, até porque esperamos um dia voltar de ferias.

Connosco irão 3 anos (quase) de uma vida, ou  seja muita roupa, muito calçado, vários pequenos electrodomésticos e vários utensílios de cozinha.

Parecemos um casal de divorciados que se acaba de juntar. Iremos ficar com 2 torradeiras, 2 impressoras, 2 varinhas magicas, 2 maquinas de café, 2 jarros eléctricos e mais uma data de tralha. Felizmente que a casa é grande. O problema será se acabarmos por mudar para outra.

Quando chegar a altura logo se verá.

 

A vida por aqui tem sido uma correria. Não posso queixar-me de monotonia.

É ver casas e mais casas. É colocar as mão na cabeça com os preços astronómicos que pedem. É tentar perceber como é que se tem coragem de pedir preços tão altos quando a casa não vale nem metade. 

Esta situação em que o senhorio nos colocou está a fazer com que não possa saborear a vinda do Miguel como deveria.

Felizmente que amanhã partimos para Marrocos. Embora ele tenha coisa para tratar por lá espero podermos descontrair como merecemos.

Por aqui é dia de aniversário.

49 já cá cantam. É verdade que o corpo mudou, algumas gorduras instalaram-se e não querem sair, o apetite aumentou, as dores nos ossos também, a vista piorou, mas não me sinto nada com esta idade.

É inevitável olhar para a idade e pensar que já estarei a menos de metade da vida. A não ser que o acordo que fiz com os santinhos se mantenha e assim chegar acima dos 100.

Pois claro com saúde, com alguma genica e a viver a vida como tenho sabido viver.

 

 

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Imagem retirada daqui

 

 

...da nova etapa das nossas.

É um misto de emoções. Feliz para voltar a ter uma vida "normal", sem despedidas, sem ausências e sem contar os dias no calendário para estarmos juntos.

Por outro lado ansiosa para ter a certeza que os quase 3 anos que estivemos longe não deixaram vícios e manias incompatíveis.

A cadeira do quarto que permanece sem roupa dele rapidamente vai encher até eu dizer "Miguel não sei como é que a cadeira ainda não se partiu com o peso da roupa". As meias que desapareceram do chão do quarto irão aparecer novamente.

E o sofá que tem sido apenas meu e dos gatos?

Bom...dividi-lo abraçadinha a ele não é nada mau.

 

 

 

Não sei se partilham a minha ideia, mas acho que nada acontece por acaso e tudo tem uma razão de ser.

É verdade que muitas vezes quando acontecem situações que não estávamos à espera não conseguimos ver imediatamente o porquê e acabamos por ficar nervosos, ansiosos e com vontade de esganar alguém. 

Estou nessa fase, mas com esperança de rapidamente descobrir que o universo não está contra mim e que só me está a ajudar.

Há 2 dias o carteiro trouxe-me um carta registada e na altura que a estava a assinar não fazia ideia de quem era nem do que se tratava. Abria-a, li-a e tornei a lê-la sem acreditar no que estava a ler.

O senhorio escrevia-me a informar que não pretendia renovar o contrato de arrendamento. Um balde de agua fria, confesso.

Telefonei-lhe para saber o porquê e para lhe dizer que tinha achado uma falta de respeito por ter enviado a carta sem um telefonema a avisar a sua intenção. Depois do seu pedido de desculpa e de me ter dado razão pergunta-me quando tinha disponibilidade para ir ao seu escritório para conversarmos. Perguntei-lhe se isso queria dizer que queria negociar o valor da renda. Respondeu-me afirmativamente e falou-me num aumento de 60 euros. 

Tenho consciência que a casa vale esse valor, mas não deixa de ser um aumento tremendo. 

Não estava nos nossos planos sairmos daqui nos próximos anos, mas a vida é uma estada com muitos desvios e aqui estamos nós a tentar encontrar o caminho.

Põe-se as questões:

- Aceitar o que o senhorio quer, não tendo assim despesas com empresa de mudanças e despesas com documentos de alteração de morada?

- Embarcar na aventura da procura, sabendo que não vamos encontrar nenhuma com estas dimensões e que provavelmente teremos de nos desfazer de várias peças de mobiliário?

-Comprar casa passando provavelmente a pagar menos todos os meses, mas ficando com os encargos do IMI, Seguros de vida, seguro multiriscos, Spred, condomínio e todas as despesas com obras que possam aparecer?

Então eu não merecia viver a vinda do Miguel com tranquilidade e romantismo?

Eu sei que sim e por isso é que eu digo se isto aconteceu agora é porque algo de bom está à nossa espera. 

 

A vida é feita de etapas, escolhas e caminhos, certo?

Pois, por aqui uma nova etapa vai começar. O Miguel está de regresso a Portugal no inicio do mês.

As saudades tiveram um peso enorme na decisão.

Dos quase 3 anos o balanço é muito positivo. Parte dos nossos objectivos foram cumpridos.

Da minha parte ficarão memorias fantásticas e aventuras inesquecíveis. Foi uma agradável surpresa descobrir que o país que eu imaginava feio, velho, sujo e pobre e inseguro afinal não o era. Constatei que a ideia que eu tinha é a ideia da grande maioria das pessoas. Raramente a reacção das pessoas quando sabem que ele está em Marrocos não é "credo", ou " Que horror". Estão tão erradas. Não digo que não haja zonas que não sejam inseguras e menos limpas, mas não é uma constante.

Vou ter saudades do transito louco sem regras (não que não existam), do calor, da comida divinal deste restaurante ,das ruas estreitas como se fossem labirintos, das cores das especiarias, dos gatos de rua, dos mercados repletos de cor e das compras especialmente desta loja  

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