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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

... pois parece que sim.

Não sei se é de estar a ficar velha, se é de ter varias coisas na cabeça para decidir, se é dos idosos estarem mais dependentes e difíceis de cuidar, se é de termos varias funcionárias de ferias e o trabalho é ainda mais dificil, mas a verdade é que tenho andado cansada, esgotada, menos paciente e muitos mais sensível.

Ontem foi um dia difícil, daqueles em que fazemos o nosso melhor para agradar a utentes e familiares. Pois, esse melhor não chegou e acabei por chamar a atenção de uma familiar de um utente que não eram modos para falar comigo. Senti-me magoada. Senti-me uma coisa insignificante, tipo lixo, e  uma incompetente. Não me arrependo, mas acredito que se fosse noutras alturas eu teria ignorado e estes sentimento não se tinham manifestado.

Imagino que não tenha sido apenas este episódio, mas um acumular de situações que fez com que sentisse um ardor no peito e uma dor no braço esquerdo. Era algo que nunca tinha sentido. Não hesitei e fui ter com as 2 enfermeiras de serviço.

Resultado: tensão altíssima, batimentos altíssimos, uma choradeira com direito a soluçar, um comprimido e a proibição de me levantar dali nos minutos seguintes. Diagnostico: ataque de pânico.

4 coisas que me marcaram neste episódio:

- Uma das enfermeira disse-me " ou tu te acalmas ou vais ter um AVC. E não estou a brincar" (afinal poderia ter sido mais grave do que eu estava a pensar);

- Aqueles dois anjos largaram tudo o que tinham para fazer e ali estiveram comigo. A distrairem-me a darem-me carinho e a demonstrarem uma paciência sem fim;

- Varias colegas demonstraram preocupação para comigo;

- Alguém que eu considero muito importante disse-me "não deixe que alguém a faça duvidar da excelente profissional que é".

Aqui estou eu ainda meia entorpecida, mas prontinha para voltar ao trabalho e mentalizada do meu valor.

 

 

Ontem fui com a minha gata ao veterinário, o problema que aqui dei conta continua. Umas alturas melhor e outras pior. 

O post não é propriamente sobre a gata, mas acredito que queiram saber a opinião da veterinária. Exactamente a mesma que a anterior. O raio da gata sofre de stress e vai dai lambe a barriga e pernas até arrancar todo o pelinho. Ora era exactamente sobre pelinho que eu venho falar, mais propriamente sobre depilação a cera. Mas quem foi a pessoa que se lembrou de tal coisa? Certamente um homem com o intuito de nos fazerem sofrer. É verdade que alguns homens já faz fazem a depilação, mas creio que quando a inventaram a moda era homem peludo.

Dia em que a vou fazer é dia de tortura. Não é raro as vezes que acho que vou ficar sem pele, já para não dizer que o desmaio está sempre na eminencia. Sou invadida pelo calor e transpiro mais do que se fosse ao ginásio.

Não há local nenhum que não doa, mas nas virilhas a coisa duplica ou triplica. 

Da ultima vez quando achei que estava acabar, já que as virilhas estavam prontas a minha esteticista pergunta-me "é para depilar tudo não é?". Ao mesmo tempo que grito "NÃO" ela espalha a cera. Bem... nem sei descrever o horrível que foi.

Sai de lá de perna aberta a rogar pragas à esteticista.

Para a próxima só com anestesia geral!

Andamos uns 3 dias até decidir onde iríamos passar o fim de semana. Dos vários sítios que tínhamos na ideia, não havia um que escapasse ao fogo. Acabamos por optar ir até ao Alentejo.

Queríamos algo sossegado, com piscina, se bem que eu dispensava-a, mas o Miguel não abdica. Depois de varias pesquisas escolhemos o Hotel Gato que fica situado em Odivelas que pertence a Ferreira do Alentejo . 

Quando chegámos almoçámos no hotel. Estávamos com imensa fome e pelos comentários que tinha lido a coisa ia demorar muito. Ou tivemos sorte, ou foi de ser os pratos dos dia a coisa foi servida com muita rapidez. Ah e a comida estava muito boa.

Arroz de polvo

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Perna de Cabrito no Forno

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O hotel está dividido em 2 partes, a nova e a antiga. 

Os meus comentários são referentes à parte antiga, pois foi onde ficámos e apesar de ter visto o exterior do edifício novo (é bonito e moderno) não conheço o interior para poder avaliar.

Quanto ao quarto...a cama era moderna e muito confortável, mas a restante mobília era antiquada. Ponto positivo o terraço individual.

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Terraço

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A piscina era de agua salgada, tinha um tamanho razoável(para mim até podia ser um mini tanque) e uma bela vista.

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Perto da piscina havia um espaço com animais, o que me fez ainda mais feliz

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O pequeno almoço deixou bastante a desejar. Não havia ovos mexidos, sumos naturais, doces caseiros, nem croissants. Safei-me com uma torradinha de pão alentejano.

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No Hotel a indicação é que seria um 4*, coisa que para mim não é. Um 3* estrelas, mas fraquinho.

Não nos arrependemos, pois deu para descansar e ainda usufrui da piscina, apesar da agua estar fria. 

 

 

 

 

Creio que a grande maioria das empresas que não fecham para ferias nesta altura "obriga" os empregados a trabalhar ainda mais, já que muitos empregados tiram ferias em Julho e Agosto. Isto para dizer que tenho andado de rastos e para tentar arranjar um pouco mais de força para conseguir trabalhar até às ferias de Setembro resolvemos ir passar o fim de semana fora.

Foi óptimo (contarei pormenores noutro post), deu para descansar, comer bem e apanhar sol. 

E o que nos apetece fazer quando chegamos a casa?

Nada, apenas ficar esparrameirada no sofá certo?

Era exactamente o tinha planeado, mas a minha gata Maria Pipoca tinha outros planos para mim.

Então não é que anda com o cio e tinha todos os cortinados marcados? Como quem diz, urinados.

Em vez do sofá agarrei-me à maquina de lavar e à esfregona.

Estou de rastos!

 

 

 

 

Apesar de já termos ido ao México optámos por este ano irmos para o mesmo destino que 2014.

Este ano não queríamos fazer grandes excursões, daquelas em que saímos bem cedo e que voltamos ao fim do dia quase mortos de cansaço. 

Quando escolhemos a mais alta pirâmide de Coba nunca pensamos que iria ser tão cansativa e dolorosa...mas tão magnifica.

O tempo de viagem foi relativamente curto, o preço estava dentro do orçamento, a temperatura não estava tão alta como nos dias anteriores e a expectativa era muita.

O nosso guia explicou-nos que ao longo do percurso nos ia mostrar outros pontos de interesse até chegar  à principal pirâmide de Coba e que podíamos optar por ir a pé ou de bicicleta.

Optámos por ir de bicicleta.

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Ao longo do percurso fomos conhecendo um pouco da historia

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Chegados ao ponto principal questionava-me se iria conseguir subir os 120 degraus. Olhar para ela deixava-me ansiosa e assustada.

Eu e o Miguel tínhamos combinado que não iríamos desistir  e que por mais difícil que fosse não iamos desperdiçar aquela oportunidade.

Ao longo da subida a temperatura que até ali era suportável parecia que tinha triplicado. Os degraus que sabíamos serem difíceis tornaram-se dolorosos. Ia subindo e pensando "não vais desistir, não vais desistir" e não desisti.

Já lá em cima os dois de mão dada olhávamos a vista magnifica. Mais um sonho nosso tinha sido concretizado.

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Se subir tinha sido difícil descer foi ainda mais difícil. Felizmente havia a corda para ajudar, mas a irregularidade e o tamanho dos degraus não ajudava em nada. E olhar para o final? Terrivelmente assustador para quem não gosta de alturas.

Já no ultimo degrau senti a cabeça à roda. Pensei eu "caraças como vou eu conseguir fazer o percurso de bicicleta até ao autocarro?". 

O Miguel estava tão de rastos como eu e apoiávamos-nos um ao outro. Quando pegámos na bicicleta achámos que iria ser impossível, mas as brincadeiras ajudaram a chegar.

Apesar da minha cara de cansada, valeu a pena a experiência. 

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...e eu comprovo.

Depois de trabalhar 10 horas e sendo daquelas noites terríveis em que uma utente cai e tem de ser enviada para o hospital, em que caio também e além de bater com os joelhos no chão ainda bato com o braço no roupeiro, que viro um jarro de agua inteirinho para o chão e que as campainhas não dão descanso, só quero chegar a casa e dormir.

Às 9,30 já estava deitada à espera que o sono chegasse (quanto mais cansada mais dificuldade tenho em dormir) e finalmente chegou pois às 10,30 acordo com o telemóvel a tocar. Era a mãezinha que pretendia fazer um visita. Não tive coragem de dizer que não. O tempo que aqui estiveram eu estive tipo zombie.

Quando foram embora era perto da hora do almoço e apesar de estar cheia de sono resolvo comer primeiro.

Cerca das 2.30h lá estava eu deitadinha. Creio que adormeci de imediato. 1 Hora depois acordo com o som do telemóvel. Era uma amiga que já não via há bastante tempo.  Ainda hesitei, pois achava que o motivo tinha  a ver com política. Não me enganei.

Segundo ela o motivo principal era combinarmos um cafezito, mas aproveitava para me convidar para fazer parte das listas do candidato que ela apoiava . Recusei pois claro, ainda mais sendo ela filiada num partido que detesto e que apoia um candidato à Câmara Municipal que não simpatizo.

Alguém merece isto?

O sono tinha dado lugar à irritação. Para a combater fui para a cozinha

Este foi o resultado 

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Bolo de iogurte recheado com natas e manga.

Já devorei algumas fatias, mas esta sensação de cabeça pesada continua.

 

 

 

No outro dia durante uma reunião e depois de já termos debatido os pontos importantes falávamos da nossa vida. De sentimentos, gostos e atitudes. Veio à baila o tema afectos. Algumas adoravam beijinhos e abraços, outras nem tanto. Uma delas era eu. 

Considero-me uma pessoa simpática e carinhosa (tem dias), mas sem envolver muito toque de pele.

Apesar de ser ter falado em alguns motivos, ou situações que pudessem levar as pessoa a evitarem esses afectos não me revi em nenhum.

Vim para casa a pensar que no meu caso seria uma questão de feitio, mas dias mais tarde voltei a pensar no assunto. Tinha voltado de ferias e uma das colegas viu-me e veio dar-me um abraço. Fiquei a pensar porque raio não era capaz de tomar essa iniciativa? Havia alturas que me apetecia fazer uma festa, dar um abraço, dar um beijo mas parecia que ficava bloqueada.

Veio à memoria algo que há muito não me recordava, mas que me fazia arrepiar e sentir nojo.

Tinha eu uns 11/ 12 anos quando a minha mãe me levou a um medico bastante conceituado da cidade. Apesar do senhor ser pneumologista era onde a grande maioria das pessoas recorriam quando havia algum sinal de doença. Nesse dia não sei de que padecia eu, mas  o medico disse à minha mãe que me ia tirar um RX. Ela ficou no consultório e acompanhei-o a uma divisão escura. Não me recordo se me tirou algum Rx, recordo-me de me dizer que me ia fazer uns exercício de relaxamento. Colocou-se atrás de mim e abraçou-me com força, varias vezes. Não me tocou nas partes intimas, mas recordo-me de sentir todo o seu corpo contra o meu. 

Na altura apesar de achar tudo aquilo estranho e me sentir muito desconfortável não contei aos meus pais nem a ninguém. Afinal era um medico muito importante em que todos confiavam e se fazia aquilo é porque fazia parte do tratamento.

Não sei quantos meses depois a minha mãe acabou por me levar lá novamente. E novamente lá fui para o quanto escuro e mais uma vez os mesmos "exercícios" e a mesma sensação de desconforto. Eu ficava imovel e sentia aquele corpo nojento colado ao meu.

Naquela altura não havia a informação que há hoje. Não sabia o que era assedio e abuso. Não sabia que ele estava a ter satisfação sexual.

Felizmente não voltei lá e esqueci o episódio até ao dia em que em conversa com uma amiga falámos no tal medico. Descobrimos que ambas vivemos situações iguais. Também ela achava estranho, mas não questionava nem nunca tinha contado a ninguém. 

Não sei se estes dois episódios que vivi influenciaram este meu pouco à vontade em abraçar e tocar, mas acredito que sim.

Tal como acredito que muitas mais crianças e adolescentes tenham sofrido estes abusos e escondido tal como eu e a minha amiga.

E será que nunca foi mais além com ninguém?

 

A cliente da charcutaria que estava antes de mim pediu à funcionaria mortadela. Ela pergunta "com azeitonas ou sem?"

A outra diz " com azeitonas".

A resposta da outra deixou-me com um sorriso e a pensar que por vezes fazemos perguntas sem lógica.

"Com azeitonas não temos"

Não tinha mais lógica dizer logo que só tinha mortadela sem azeitonas?

 

Resultado de imagem para mortadela com azeitonas

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