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Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Marrocos e o destino

A ida do maridão para Marrocos trouxe muitos imprevistos, peripécias, aventura e muitas saudades. É aqui que irei tentar "expulsar" os medos, as tristezas, as alegrias e as saudades.

Quando iniciamos a compra de casa e decidimos fazer obras para melhoramento e meti na cabeça que só depois delas prontas é que para lá ia. Esqueci-me que os planos normalmente saem furados. E saíram.

As obras atrasaram, como todas as obras e para não pagarmos mais um mês de renda de casa resolvemos mudar antes de tudo estar pronto. Faltava apenas colocar o chão no corredor e num dos quartos. Nessa altura já tínhamos trazido quase todas as coisas que cabiam nos carros. Passei a ter a casa antiga apenas com os colchoes no chão, mobiliário pesado e os electrodomésticos. Já a nova passou a estar neste estado 

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Depois de alguns dias em que a decoração da sala era com caixas, caixinha e caixotes, sacos e saquinhos finalmente ficou pronta.

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Quase um mês depois aqui estou novamente.

Depois de muitas peripécias já me encontro na casa nova, mas hoje não vou escrever sobre isso, mas sim sobre algo que me revolta bastante. Falo dos contractos temporários. Daqueles contratos em que as pessoas têm um pé dentro da empresa e outro fora. Daqueles em que transformam o colaborador em descartavel. Daqueles em que a pessoas não podem fazer planos, não podem ter objectivos e que vivem com coração nas mãos.

No que se refere ao empregador esses contractos vieram dar-lhes segurança, menos preocupação e pouco ou nenhum respeito pelo trabalhador.

Desde que a minha filha começou a trabalhar foi sempre com contractos temporários. Houve alturas em que esteve a apenas 2 dias, outros em que esteve semanas e outros meses no mesmo sitio. Empresas que nunca mais a chamaram e outras que a voltaram a chamar varias vezes.

Sempre que regressava havia a esperança que era daquela vez que assinaria um contracto de trabalho sem ser temporário. Não era, nunca foi.

Normalmente uns dias antes a empresa de trabalho temporário telefonava a informar que dai a 4 ou 5 dias ficaria sem trabalho. 

Hoje era dia de ir começar às 16 horas e cerca das 11 horas telefonam a informar que não iria mais.

Pergunto eu onde está o respeito pelas pessoas?

5 Horas antes avisam que está desempregada...

Como se pode constituir família? Como se pode pensar em comprar uma casa ou um carro? Como se pode ter esperança no futuro?

 

 

Analisando a situação que me aconteceu esta manhã chego à conclusão que o meu carro só me quer bem.

Depois de ter passado o inferno a noite  de Domingo para Segunda-Feira envolta em stress e ansiedade ( como se não fosse quase o meu estado normal) à aguardar que fogo se decidisse se ia avançar os poucos metros que faltavam para chegar ao Lar onde trabalho, depois de ter passado a Segunda-Feira sem dormir porque tinha situações a resolver eis que o carrinho decide que hoje não me deixava ir trabalhar.

Aguardo a chegada do reboque para levar o "menino" ao médico mecânico. 

...de desaparecer um tampo de cozinha com mais de 2 metro, dentro do armazém?

Muito reduzida, certo?

Errado!

Então não é que recebi um telefonema da loja onde mandei fazer a mobília a dizer que o tampo da cozinha tinha dado entrada, mas não o encontravam. E que agora tinham de mandar fazer outro o que provavelmente iria atrasar uma semana.

Não sei se chore se ria.

 

Não gosto de monotonia e ando sempre tão eléctrica que costumo dizer que durmo ligada à corrente, tal é a minha energia, mas neste momento necessitava de desligar essa "corrente" e não posso.

As obras da casa estão a deixar-me louca cansada e sem tempo para fazer o que gostaria.

Não tenho tempo para o meu blog, nem para o blog clube dos gatos. Não tive tempo para ir a este encontro que tanto gostava. Não tenho tempo para visitar os blogs que tanto gosto. E não tenho tempo para estar de papo para o ar no sofá.

Nas semanas anteriores a minha vida esteve repleta de tintas, azulejos, mudanças de morada e parece que assim vai continuar nos próximos meses tempos.

Ah e o pedreiro? 

O homem vai fazer com que eu rebente de stress.

A morte é algo traz sempre o sentimento de tristeza, poderá  até ter o sentimento de alivio( por deixar de sofrer), mas  a tristeza está sempre de mãos dadas com a morte.

Este fim de semana foi a enterrar mais um amigo nosso. 41 anos...

Recordo-me das suas palavras 2 meses antes, quando estávamos no funeral do ultimo amigo que faleceu "amanhã vou ao hospital a uma consulta, mas o medico diz para não me preocupar que não é nada de grave."

Esta morte, tal como esta e mais a morte de 2 amigos que faziam todos parte do mesmo grupo de amizade fazem-me pensar em como a vida pode ser tão curta. Que por vezes damos importância a coisas que não importam nada. 

Já esperava que a compra de casa e as obras trouxessem muita dor de cabeça, mas tanta como estou a ter não imaginava.

Hoje telefona-me o Miguel a perguntar se estou em casa, pois o pedreiro estava na rua e precisava que lhe fossem abrir a porta. 

- O quê deixou novamente as chaves dentro de casa?

-Parece que não. Diz que não a consegue abrir. 

Lá fui eu a dizer palavrões (por este andar vou direitinha ao inferno).

Desta vez o homem não teve culpa e sim o Miguel.

A ultima vez que o Miguel lá foi fechou a porta com varias voltas e a chave do pedreiro só consegue abrir com duas voltas como tal ficou na rua.

Estou a pensar que o melhor é ir à bruxa.

Imagino que para quem passa por aqui com mais frequência tenha achado estranho não ter feito mais nenhum post acerca das obras de casa. Certamente pensarão que esta obra é a primeira sem problemas e sem imprevistos.

Como eu gostaria dizer que não tenho nadita para contar, que tudo está a correr maravilhosamente bem e que a coisa  vai ser acabada dentro do previsto.

Não sei se começo pela perda das chaves, se pela rotura de agua ou se pelo andar da obra "devagar devagarinho".

Vou começar pelas chaves.

Entregámos uma chaves ao pedreiro para poder entrar e sair quando lhe desse jeito e sem eu e o Miguel tivessemos de faltar ao trabalho.

No segundo dia de obras recebo um telefonema do homem a dizer que havia um grave problema. Confesso que achei que tinha havido alguma inundação ou coisa do género e pergunto-lhe " Problema? O que foi agora?"

- Ah vim trazer lixo e deixei as chaves dentro de casa e agora não posso entrar.

Por um lado fiquei aliviada, pois aquele "problema não iria acentuar a derrapagem no orçamento, mas por outro fiquei tão irritada, mas tão irritada que me fartei de dizer palavrões, depois de desligar o telemóvel.

Tive de sair do trabalho para lhe abrir a porta. Assunto resolvido voltei ao trabalho até às 22 h.

Quando cheguei a casa contei ao Miguel da peripécia do pedreiro e das chaves e pergunta-me " Então perdeu as chaves 2 vezes?"

Não estava a perceber nada e conta-me que quando saiu do trabalho passou pela obra e encontrou o pedreiro junto ao caixote do lixo. Quando chegou junto dele diz que estava branco e a transpirar e que lhe disse "Miguel estou fod#%do, já virei o contentor 2 vezes e não encontro as chaves de casa".

Ora onde estavam as chaves?

Dentro de casa, ou seja mais uma vez veio à rua e esqueceu-se das chaves lá dentro.

Sorte a dele do Miguel ter chegado porque se me ligasse novamente tinha-o "comido".

Cheira-me que vou ter alguns episódios stressantes "engraçados" com o homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia combinado encontrei-me com o sr. António à porta da sua Josefa. Vi a felicidade no rosto, tal como vi a dela quando o viu. 

Soube o meu nome, perguntou-me pelo Miguel e confessou que estava feliz por estarmos ali. Levou-nos até à sala e foi-nos buscar um bolo depois sentou-se e ali estivemos os 3 a conversar.

O Sr António contou-me como se conheceram e como nasceu aquele amor. Ouvindo-o tive a certeza que o amor pode ser tão intenso num casal jovem como num casal acima dos 80 anos.

Ouvindo-a falar foram varias as vezes que pensei que ali não havia alzheimer, que a ali se encontrava a mesma mulher lúcida que eu tinha conhecido uns anos antes. Infelizmente a doença deu alguns sinais. Do nada vieram conversas sem sentido às quais não consegui entrar "no jogo" como faço com os idosos que cuido. Fiquei em silêncio.

Quando de lá sai não tive duvidas que aquele bocadinho tinha valido tanto como se fossem anos para aqueles dois.

Ficou a promessa que iríamos repetir a visita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confesso que achei que estava a exagerar, pois ali estava ela a falar normalmente sem sinal da doença. A minha experiência com o Alzheimer nos idosos que cuido é bem diferente, pois quando vão para a Instituição vão com a doença muito evoluída.

Sempre que estavamos com o meu sogro perguntávamos como estava a sua Josefa. "Uns dias bem e outros mal em que não sabe onde pões as coisas", dizia ele.

Um dia contou-nos que ela tinha ido lá a casa e depois de ir embora lhe tinha ligado a perguntar se não tinha lá deixado a mala. Depois de lhe dizer varias vezes que não e ela dizer que de certeza que a tinha deixado resolveu lá ir para ver com os próprios olhos. Contou-nos que lhe tinha dito " Josefa telefonaste-me de casa portanto quer dizer que entraste em casa e tinhas a mala de certeza porque a chaves de casa estavam lá dentro. Portanto a mala tem de estar dentro de casa".

Acabou por lá ir com ela e depois de procurarem encontraram-na dentro do roupeiro.

Durante algum tempo ainda ia ter com ele e saiam, mas as visitas foram ficando cada vez mais espaçadas. Sempre que lhe falávamos nela víamos a tristeza dele. 

A semana passada acompanhei-o à uma consulta no medico de família e enquanto esperávamos conversávamos sobre a Josefa. Falava-me das saudades que tinha de estar com ela, em como ela era muito boa para ele e que nunca tinha havido um amuo ou zanga durante os 11 anos que saiam juntos. 

Tanto eu como o Miguel achávamos que por vezes ainda se viam e só ali tive a certeza que a ultima vez tinha sido há 3 meses. Questionei-do do porquê de não ir visita-la. Disse-me que não o conseguia fazer pois tinha receio de ser o causador de problemas com as filhas e de faltar alguma coisa lá de casa e acusarem-no. Disse-lhe que não devia de pensar assim e que tinha de pensar nele e nela, que estarem juntos ia fazer bem aos dois.

Decidi ali que tinha de fazer alguma coisa e digo-lhe " Sr António então e se eu for lá consigo?"

Com um sorriso enorme diz-me "Isso era maravilhoso. Vocês vai mesmo comigo?"

Combinámos então que na semana seguinte lá iríamos.

Assim do nada começou com uns arrotes estranhos e perdeu os sentidos. Chamei-o varias vezes e vendo que não reagia acabei por ir chamar por ajuda.

Os sinais vitais estavam normais, mas como vomitava e cambaleava um pouco a medica achou melhor ir ao hospital.

Esteve lá varias horas e os vários exames não demonstraram nenhum problema.

O Miguel acha que foi a emoção de saber que ia ver a sua Josefa novamente.